quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sou fiscal do Sarney



Devidamente recontextualizado, claro.

(Lucas Colombo)

2 comentários:

Guilherme Scalzilli disse...

Por falar em PMDB

Sob condições “normais”, a imolação pública de José Sarney mereceria lautos festins. Acontece que a febre moral da grande imprensa visa apenas desgastar o PMDB governista antes das disputas de 2010. É pura campanha eleitoral.
As sucursais brasilienses existem há décadas, com repórteres alimentados por centenas de fontes em todos os níveis de poder, e nenhum deles, nenhunzinho, jamais soube de falcatruas operadas por diretores do Senado antes do governo Lula. O Sarney que presidiu a Casa e coordenou a base parlamentar do governo FHC (1995-97) era probo, literato e elegante. E nunca é demais lembrar que Agaciel Maia esteve lá por 14 anos.
Parece que duvidar da imprensa virou elogio ao coronel maranhense. Sei. Então tá. Proponho o seguinte: aspiremos bons fluídos republicanos, montemos na vassoura ética e investiguemos o PMDB de uma vez por todas. Que tal começar pelo quercismo?
Sugiro um levantamento dos órgãos e cargos ocupados por peemedebistas na atual gestão paulistana de Gilberto Kassab. Como se sabe, a vice-prefeita, Alda Marco Antônio, foi secretária dos “polêmicos” governos estaduais de Orestes Quércia (1987-90) e Luiz Antônio Fleury (1991-94) – aquele do massacre do Carandiru.
Alguém pode aproveitar o embalo para escarafunchar também o governo de José Serra, que se aliou a Quércia para vencer a disputa estadual e manter sólida maioria na Assembléia. Não parece razoável que uma aliança dessa envergadura tenha transcorrido sem qualquer, digamos, retribuição. Ora, deve restar alguma irregularidade, mínima que seja, escondida nos milhares de departamentos e incontáveis gabinetes dessas portentosas máquinas administrativas.
Ops. Cadê o furor investigativo? Agora deu preguiça?

Lucas Colombo disse...

Ih, pronto. Já colocaram a culpa na imprensa. É sempre assim: condena-se o mensageiro pela gravidade da mensagem... Acontece que uma das grandes funções da imprensa é (ou deveria ser) fiscalizar os governos, especialmente o federal. E eu posso ficar até amanhã aqui citando as críticas que Sarney recebeu quando era presidente da república, começando pelo post mais aí embaixo, sobre o Paulo Francis... "Pura campanha"?? E o que são empreguismo de parentes, atos secretos, desvio de patrocínio da Petrobrás, mordomo, uso de seguranças do Senado para proteção da própria casa, etc etc etc? Ou é melhor fechar os olhos pra isso tudo e apenas afirmar que
a imprensa "faz campanha contra", como, aliás, diz o presidente? Muita gente que gosta da Escola de Frankfurt está falando que a "mídia golpista" escondeu essa sujeira no Senado por anos e só a divulgou agora, para desgastar o governo Lula. Mas uma coisa é "ouvir falar", outra, muito diferente, é "provar". Os atos secretos ('secretos', bom frisar) só vieram à tona porque foram detectados por técnicos do próprio Senado, foram provados. E onde você leu, aqui no blog, elogios ao PMDB, ao Serra e ao Kassab? E se você sabe de alguma irregularidade envolvendo estes nomes e partidos (sobre as quais você deve ter lido na mesma imprensa que critica), por que não denuncia? É seu direito. E sobre Sarney ser "literato e elegante", é você que está dizendo...