quarta-feira, 23 de julho de 2008

Vanity Fair ironiza The New Yorker



Ah, a ironia... Depois de a New Yorker publicar, na capa, uma charge do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, como radical islâmico, a Vanity Fair deu uma espécie de resposta à concorrente. A revista criou, apenas para a internet, uma capa com uma caricatura de John McCain, candidato republicano, como um idoso debilitado, apoiado num andador e assistido pela mulher, Cindy, que carrega vidros de remédios. Há um retrato de George W. Bush na parede, e uma Constituição americana queima na lareira - na capa da New Yorker, Obama cumprimentava a mulher, Michelle; um quadro de Bin Laden estampava a parede e uma bandeira americana ardia na lareira. Assim como a New Yorker ironizava a imagem preconceituosa que os opositores de Obama alardeiam, a Vanity Fair faz brincadeira com a idéia que os opositores de McCain alardeiam: a de que ele é um senhor idoso e antiqüado, seguidor das políticas conservadoras de George W.

No seu site, a Vanity Fair, que é publicada pela mesma editora da New Yorker, diz: "Nós da Vanity Fair mantemos uma espécie de rivalidade afetuosa com nossos vizinhos da The New Yorker. Nós jogamos softball todo ano, competimos pelas mesmas matérias e dividimos o mesmo elevador". Um leitor postou o seguinte comentário ao texto sobre a caricatura: "A maior diferença entre esta capa e a da New Yorker é que a sátira, aqui, é baseada em fatos". Impagável.

Em tempo: li ontem que a equipe de Obama vetou um repórter da New Yorker que queria acompanhar o democrata no giro que ele faz pelo Oriente Médio. A explicação foi que simplesmente "não havia lugar" no avião do candidato para o repórter. Eu já tinha ficado surpreso com a falta de sense of humor de Obama semana passada, quando sua equipe declarou não ter achado graça na "ofensiva" charge da New Yorker. Se essa "falta de lugar no avião" for um tipo de 'retaliação' à revista, que pena...

(Lucas Colombo)

Um comentário:

André C. disse...

Pois é. Seria muita imaturidade da parte do Obama. Mas ele ainda é o melhor candidato! E essa capa fictícia da Vanity Fair está muito boa.