sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Rapidinhas eleitorais


- São Paulo: Geraldo Alckmin cometeu, pela segunda vez e não por falta de aviso, um pecado mortal em política: sair de uma eleição menor do que entrou, como em 2006. Pelo jeito, no futuro ele só conseguirá se eleger prefeito de Pindamonhangaba, sua cidade natal.

- Rio Grande do Sul: os dois maiores partidos brasileiros não brilharam na capital. Do PT, Maria do Rosário suou para superar a 'carismática' (e só isso) Manuela D'Ávila, do PCdoB, e conseguir vaga no segundo turno contra José Fogaça. No entanto, os pouco mais de 20% que ela obteve, sendo de um partido que governou Porto Alegre por 16 anos, são muito pouco. Vencer Fogaça, que conquistou 43,85% dos votos válidos, será difícil. O PSDB, por sua vez, manteve a tradição de levar votações pífias no estado. O partido elegeu apenas 19 prefeitos. E, em Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. não chegou aos 3%.

- São Paulo/Pernambuco: da série "O Brasil não tem jeito, mesmo": a ex-deputada Angela Guadagnin (PT), famosa por ter dançado no plenário da Câmara para comemorar a absolvição de um colega envolvido no mensalão, foi eleita vereadora em São José dos Campos. Declarou que o polêmico episódio não prejudicou sua campanha: "Não tive nenhuma agressão durante a campanha. O apoio que eu obtive das pessoas era de que isso daí é uma página virada" (página virada? Que bom para ela). E o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP), três anos depois de renunciar ao mandato para não ser cassado, também foi eleito. Concorreu à Prefeitura de João Alfredo, em Pernambuco, explorando sua 'amizade' com o presidente Lula, e chegou lá. Surpreso, leitor?

- Brasil inteiro: assistir ao horário eleitoral dos candidatos a vereador era tragicômico. Um festival de cidadãos querendo chamar a atenção a qualquer custo, abusando de chavões e frases feitas e se apresentando com nomes até anedóticos. Gente que, na maioria das vezes, demonstrava não ter a menor idéia do que fosse um trabalho parlamentar. Parecia mais que estavam querendo aproveitar os 15 segundos de fama do que expôr uma plataforma política. Albert Camus tem cada vez mais razão: "aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política".

- Estados Unidos: nem Barack Obama, nem John McCain têm propostas concretas para resolver a crise que abala Wall Street. A calamidade financeira, porém, naturalmente favorece a candidatura oposicionista. Só se cometer alguma grande besteira nessas últimas duas semanas de campanha Obama não vence a eleição no dia 4.

(Lucas Colombo)

Um comentário:

Douglas Vaccaro disse...

Não, não estou surpreso com a vitória do Severino. Só que a frase do Albert Camus poderia se dirigir ao povo também: aqueles que têm grandeza interior não votam em corruptos.