Seleção de depoimentos retirados principalmente de entrevistas
a jornais e revistas (algumas estavam perdidas), Nelson Rodrigues – Por ele mesmo (Nova Fronteira, 2012, org. Sonia
Rodrigues) é um livro apinhado de curiosidades sobre vida e obra do jornalista
e dramaturgo, autor de 17 peças reconhecidas como o auge da dramaturgia
brasileira. Nelson consagrou, com sua linguagem polêmica e sem pudor, uma nova
forma de fazer teatro no Brasil, sendo um dos pioneiros do modernismo nas artes
cênicas do país. O livro traz suas opiniões agudas, seu humor peculiar e suas
frases emblemáticas – ainda citadas hoje em dia. Não faltam relatos sobre as angústias
da vida e dificuldades para sobreviver de escrita. Nelson dizia muita coisa que
ninguém tinha coragem de dizer, sem se preocupar com críticas e julgamentos do
seu meio. Leandro Schallenberger
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
quinta-feira, 22 de março de 2012
Lançamentos: livros
Que William Shakespeare (1564-1616) seja o maior dramaturgo de todos os tempos, poucos duvidam. Mas são também poucos os que buscam entender como ele chegou a um patamar tamanho de qualidade, com sua obra vasta que inclui "Hamlet", "Rei Lear", "Macbeth" e "Romeu e Julieta". É isso que o pesquisador americano Stephen Greenblatt faz em "Como Shakespeare se tornou Shakespeare", lançado há três meses no Brasil. No livro, Greenblatt traça a trajetória do inglês, passando pela infância no campo, o contato com o teatro através de companhias itinerantes, a chegada a Londres, o casamento com Anne Hathaway, a morte do filho Hamnet, o contexto social e político da Inglaterra e como tudo isso influenciou e determinou suas obras. “Mesmo que Will, no fim da adolescência ou aos vinte e poucos anos, tenha decidido tornar-se ator, não bastava apenas rumar para Londres e tentar a sorte nos palcos, parando aqui e ali para ganhar uns trocados, cantando e fazendo malabarismos para ter o que comer e onde dormir. Na Inglaterra elisabetana, a pessoa que se desligasse de sua família e de sua comunidade em geral enfrentava problemas”, escreve Greenblatt. (Cia. das Letras, 456 p.)
* * *
Importante nome de oposição ao regime de Fidel Castro, a escritora cubana Zoé Valdés tornou-se conhecida com trabalhos como "La hija del embajador". "O todo cotidiano", livro em que reúne em um só dois romances, "O nada cotidiano", lançado em 1995, e o inédito "O tudo cotidiano", também saiu aqui no final de 2011. Em ambas histórias, a protagonista é Pátria, uma mulher que nasceu exatamente no ano da revolução de Che Guevara e Fidel. Ela, porém, que era para ter sido da primeira geração de um mundo supostamente sem injustiças, viu, pelo contrário, seu país reprimir seus cidadãos. É isso que se lê em "O nada cotidiano". Na segunda parte, "O tudo...", Pátria está exilada em Paris e aborda o dia-a-dia de seus vizinhos, de realidades diferentes da que vivenciou em Cuba. "O todo cotidiano" traz elementos autobiográficos de Zoé. A escritora, nascida em Havana em 1959, vive desde 1995 exilada em Paris, onde trabalha no escritório de Cultura Cubana. (Benvira, 318 p.)
(Do CulturaNews)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Palavra Composta sobre Nelson Rodrigues
(Foto: Emerson Machado)Nelson Rodrigues foi o tema do Palavra Composta dessa semana, realizado excepcionalmente na segunda-feira, 14. Para falar da obra do maior dramaturgo brasileiro, morto há 30 anos, o editor do MM e mediador dos encontros, Lucas Colombo, recebeu o escritor e resenhista de cinema Rodrigo Rosp e o ator e diretor Roberto Oliveira.
Antes de iniciar a conversa, para que a plateia 'entrasse' no universo do autor, Lucas exibiu o episódio "A Esbofeteada", da série "A Vida como Ela é", produzida pela TV Globo em 1996. A emissora adaptou alguns dos contos diários publicados por Nelson no jornal Última Hora, na década de 1950, em que ele tratava de adultério, crimes passionais, neuroses e taras, temáticas constantes em sua obra. Depois, o mediador abriu a discussão com a ideia de que Nelson, como Machado de Assis, descortinou o comportamento brasileiro; revelou a hipocrisia, as frustrações e os desejos escondidos sob o clichê do "povo pacífico e simpático". Rodrigo e Roberto concordaram com o comentário e que é exemplo disso o caso da moça hostilizada na universidade, em SP, por ter ido à aula de minissaia, no ano passado. Nelson revelava que há sentimentos destruidores por baixo do manto brasileiro da "harmonia".
Especificamente sobre o trabalho dramatúrgico do autor, Roberto explicou por que "Vestido de Noiva", de 1943, inovou o teatro brasileiro: a ação desenvolve-se em três planos, realidade, alucinação e memória, com as informações, assim, sendo fornecidas ao público de forma não-linear. Tal estética de fragmentação de tempo e espaço já era praticada por autores americanos e europeus, mas, no Brasil, foi Nelson quem a introduziu. Ele ainda inaugurou o diálogo coloquial e direto no teatro brasileiro, como frisou também Roberto. Já Rodrigo, a respeito dos personagens de Nelson, disse que estes são, à primeira vista, estereótipos: o grã-fino devasso, a falsa beata, a solteirona reprimida. Com o desenrolar do enredo, porém, vamos vendo que não são estereótipos "de telenovela": eles sempre têm algo por trás, sentimentos escondidos, que os tornam complexos. Essas várias "camadas" dos personagens, conforme completou Roberto, fazem da sua representação um desafio aos atores.
Lucas citou dados biográficos do dramaturgo e escritor que podem ter contribuído para a sua visão trágica da existência: Nelson gostava de faltar à escola, quando criança, para ir a velórios; presenciou o assassinato do irmão; teve um filho preso pela ditadura. O mediador também leu aforismos rodrigueanos célebres e trechos mordazes de crônicas de "O Óbvio Ululante", um dos livros mais conhecidos do autor. No 'embalo', Roberto leu uma passagem de um ensaio sobre o dramaturgo, e Rodrigo, parte de um diálogo de "Bonitinha, mas Ordinária", peça de 1962. No final do debate, foi impossível não lembrar, em plena Copa do Mundo, que Nelson foi igualmente o grande cronista do melhor momento do futebol brasileiro, 1958-1970. Criou expressões e tipos memoráveis, como o "Sobrenatural de Almeida" e a "Grã-fina das narinas de cadáver".
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Na próxima semana, de volta à terça-feira, dia 22, às 17h30min, teremos um Nomes & Obras. A contista Monique Revillion, autora de "Teresa, que esperava as uvas", falará de seu livro e de narrativas curtas com o público. Até lá.
Serviço
Palavra Composta e Nomes & Obras
Quando: toda terça-feira, de junho a setembro, às 17h30min
Onde: livraria Letras&Cia. (Osvaldo Aranha 444, Porto Alegre)
Realização: MínimoMúltiplo.com e Letras&Cia.
Entrada e estacionamento (Osvaldo Aranha 420) gratuitos
Marcadores:
Literatura,
MM,
Palavra Composta,
Teatro
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Pesadelo americano
Faz 60 anos que a peça americana "A Morte de um Caixeiro Viajante", obra de referência no teatro do século passado, foi escrita e encenada pela primeira vez, e a efeméride fez-me voltar ao contundente texto de Arthur Miller, que havia lido muitos anos atrás. Tenho-o em livro, em edição conjunta com "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennesse Williams, outro mestre da dramaturgia americana, num exemplar antigo da Abril Cultural (editora que nem existe mais; hoje é Nova Cultural). Queria ler só algumas páginas, para relembrar e comentar aqui, e acabei relendo o texto inteiro. É muito bom. Morto em 2005, Miller criou uma obra de tom marcadamente crítico à sociedade de seu país - também é autor de "The Crucible" ("As Bruxas de Salém", no Brasil), uma alegoria da paranoia macarthista dos anos 1950 de que ele próprio foi vítima -, e "A Morte..." não é exceção. Do texto desprendem-se questionamentos a vários aspectos do modo de vida americano e à cultura do "triunfo individual", tão forte naquele país. O personagem, Willy Loman, típico "americano médio", é obcecado por ser o número 1 em tudo e está sempre se importando com o que os outros pensam dele. Gaba-se de, supostamente, ter muitos amigos que o adoram e respeitam. Deseja com fervor ter um determinado estilo de vida e ser um ídolo para seus filhos. Vive tão cheio de sonhos e ilusões e amargura-se tanto pelas oportunidades que deixou passar na vida, que acaba perdendo o juízo. Ele é um loser, um homem que fracassa nas tentativas de realizar o "sonho americano", e joga na nossa cara a verdade incômoda: o sucesso não está logo ali na esquina, como muitos apregoam... A linguagem de Miller é simples, e a narrativa vai e volta no tempo para mostrar por que os personagens se tornaram o que são. Interessante observar também a influência que o social exerce no psicológico daquelas pessoas, e vice-versa. A Introdução do livro conta que, na estreia da peça na Broadway, em fevereiro de 1949, Miller estava tenso e inseguro, pensando em que relevância teria, para o público que vivia a prosperidade do pós-guerra (com excesso de 'P', mesmo), a história de um simples e desimportante caixeiro viajante... Tem relevância até hoje. E é uma prova, para muitos que não acreditam, de que os americanos sabem fazer autocrítica. A eleição de Obama que o diga.
(Lucas Colombo)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Um ano
"Todo telespectador tem seu dia de inteligência: é quando desliga a TV e vai ao teatro."
- Paulo Autran, grande ator, morto em 12 de outubro de 2007
(Lucas Colombo)
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