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sexta-feira, 8 de abril de 2016
"O eterno petista"
"A Operação Lava Jato e as discussões sobre o impeachment de Dilma revelaram um tipo interessante de brasileiro – o eterno petista.
O eterno petista continua defendendo o PT mesmo depois de todos os seus ideais terem sido traídos pelo partido. Continua petista mesmo depois do PT ter levado a níveis estratosféricos a corrupção que prometia erradicar. Mesmo depois do partido se aliar aos homens que o eterno petista considerava os vilões da política brasileira.
Para justificar a durabilidade da sua crença, o eterno petista é capaz das mais impressionantes acrobacias intelectuais. Foi assim na última década – quando Lula decidiu manter a política econômica de FHC, ou durante o mensalão, na aliança com Fernando Collor e Paulo Maluf, no petrolão, nas trapalhadas econômicas de Dilma, na reforma do sítio e do tríplex, na nomeação de Lula ao cargo de ministro. É interessante imaginar como o eterno petista reagirá se o PT continuar governando o Brasil nas próximas décadas.
Em 2017, a inflação chegará a 32%. O eterno petista dirá, primeiro, que vivemos uma conspiração de estatísticos do IBGE e da FGV contra o governo Dilma. Depois, vai requentar discursos dos anos 80 e culpará os donos de supermercados pelo aumento dos preços.
Em 2018, durante uma conversa com diretores da OAS, Lula dirá “como assim não tem mais doação pra campanha, querido? Quer contrato com a Petrobras ou não? ”. O eterno petista dirá que Lula foi vítima de um grampo ilegal determinado por juízes com motivações golpistas que só investigam o PT. “A luta contra a corrupção foi também o mote usado pelos que apoiaram o golpe em 1964”, afirmará o eterno petista em vídeos e em artigos de jornal.
“Cadê meus milhão?”, dirá Lula numa outra ligação grampeada com autorização judicial. O eterno petista explicará que Lula na verdade se referia a doações de milhos para os voluntários de sua campanha a presidente, e que ele não sabe flexionar o plural porque tem uma origem humilde, e exatamente por isso é preciso votar nele e se revoltar contra blogueiros da elite conservadora que ridicularizam as limitações gramaticais dos brasileiros menos favorecidos.
Em janeiro de 2019, em sua primeira semana de governo, o presidente Lula vai ordenar o BNDES a emprestar 33 trilhões de reais para a Odebrecht, a OAS e a Camargo Correia. O Jornal Nacional revelará que 20% desse valor foram parar na conta de um dos filhos do presidente. O eterno petista absolverá o PT e acusará a “imprensa controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula”."
- Jornalista e escritor Leandro Narloch, com humor irresistível, em sua coluna no site da Veja. Leia o texto inteiro aqui.
(Lucas Colombo)
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terça-feira, 31 de março de 2015
Problemas
O problema político das ciclovias
O problema da ciclotimia dos políticos
O problema da abundância de sacolas de plástico
O problema da falta de saco
O problema da falta de água
O problema do desafio do balde de gelo
O problema da desvalorização da vida
O problema da precificação da vida
O problema das pessoas que só ficam nas redes sociais
O problema das pessoas que não tem acesso à internet
O problema do adoçante cancerígeno
O problema do açúcar cancerígeno
O problema da escassez de empregadas domésticas
O problema da sobra de patrões
O problema da velocidade da internet
O problema da lentidão da humanidade
O problema dos chefs que querem ser celebridades
O problema da irritação com os chefs que querem ser celebridades
O problema da oposição ao governo
O problema da situação do governo
O problema da intolerância ao glúten
O problema da tolerância ao mundo
O problema do empreendedorismo
O problema da vagabundagem
O problema das atrizes que fazem cirurgias plásticas e ficam irreconhecíveis
O problema das atrizes que não fazem cirurgias plásticas e ficam irreconhecíveis
O problema do excesso de sódio nos alimentos
O problema da dessalinização da água
O problema de quem não come carne
O problema da carne de cavalo nas lasanhas europeias
O problema do derretimento do gelo nas calotas polares
O problema do congelamento de óvulos de funcionárias da Apple e do Facebook
O problema da falta de comida na África
O problema do excesso de peso nos Estados Unidos da América
O problema em ser atendido por garçons franceses mal educados
O problema em ser Danuza Leão
O problema do Lula que não fala nada
O problema da verborragia do Eduardo Cunha
O problema da Dilma que não sabia de nada
O problema do Valério que sabia demais
O problema do excesso de informação
O problema do analfabetismo funcional
O problema de quem tem assunto demais
O problema do bloqueio criativo em jovens escritores
O problema das coisas que estão desaparecendo porque a internet apareceu
O problema dos personal stylists
O problema da falta de estilo e personalidade das pessoas
O problema da compulsão por sexo
O problema da falta de libido
O problema dos enrustidos
O problema dos fechativos
O problema dos workaholics
O problema dos desempregados
O problema da hiperatividade
O problema da paralisia cerebral
O problema da castidade
O problema da promiscuidade
O problema do sexo barato
O problema da prostituição de luxo
O problema do excesso de notícia sobre o Papa Francisco
O problema da falta de notícia sobre o Papa Ratzinger
O problema do tédio no campo
O problema da ansiedade nos grandes centros
O problema da medicalização da vida
O problema da morte
O problema da gentrificação
O problema dos novos ricos
O problema do entusiasmo
O problema da depressão
O problema da mania
O problema da inércia
O problema em problematizar tudo
O problema em buscar solução para tudo
O problema em começar um texto
O problema em terminar um texto.
(Rafael Fais)
terça-feira, 11 de junho de 2013
Seus sonhos, seus planos
"Falou de tudo com entusiasmo. Explicou seus sonhos, seus planos, acha que o país necessita fundamentalmente de sua geração e que cabe a ele, pessoalmente, toda a mudança política no país. Pretende aproveitar todas as oportunidades que se apresentarem para dar o máximo de si mesmo à terra em que nasceu. Rapaz extraordinário. Parece até um jovem estrangeiro."
- Millôr Fernandes, em 1980. Mas como é atual!
(Lucas Colombo)
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Editor's choice
O que de melhor o MM publicou em 2012, na visão deste editor. Em ordem cronológica:
- "Estradas e caminhos" (seção Enquadramentos), by Danny Bittencourt
- "Uma lágrima para Daniel Piza", by Lucas Colombo
- "Kubrick", by Leandro Schallenberger
- "Ensaio sobre o Facebook", by Rafael Fais
- "Os desastres da guerra", by Lucas Colombo
- "Lobos e tijolos", by Fabiano Schüler
- Especial "O Mensalão e Nós": "Papo jovem", by Lucas, "O saque", by Rafael, e "Fragmentos de um julgamento", by Leandro
- "2012, o fim do mundo", by Lucas Barroso
- Aqui no blog: série "Quem fez minha cabeça"
Feliz 2013.
(Lucas Colombo)
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terça-feira, 15 de maio de 2012
Millôr e as Malvinas
Por falar em 30 anos da Guerra das Malvinas: cartoon de Millôr Fernandes, da sua coluna na Veja de 19 de maio de 1982.
(Lucas Colombo)
sábado, 12 de maio de 2012
Millôr, by Piza
"Millôr é também um grande jornalista. Além de sua atividade como autor, editor, crítico e ombudsman, não de yamamotos (os erros e lapsos sem importância), mas daquilo que, com humor involuntário, os jornais de hoje chamam de "atitude", Millôr tem sido um grande jornalista nesses anos todos porque leva ao papel-jornal um poder crítico e criativo que para muitos, a começar por jornalistas, ele nem merece. Como Millôr diz no mesmo "Autodefinição de Vão Gôgo": "Eu trabalho para o público, o público paga para me ler, mas os intermediários ficam com tudo e ainda zombam de mim e do público, achando que eu não o atinjo e ele não me compreende".
Millôr esteve em "O Cruzeiro", "Veja", "Pasquim", "Isto É" e "Jornal do Brasil", entre outros; agora está em "O Dia" e na revista "República", sempre com audiência ampla e irrestrita, sem anistia para os poderosos. Não foram poucas as saídas honrosas, motivadas por sua saudável intransigência em dizer o que pensa, num país em que, na frase de Cláudio Abramo, "ninguém diz o que pensa e ninguém pensa no que diz". E lá está Millôr, fazendo sucesso de novo com o mais imponderável dos bens, a inteligência, aquela que, segundo os donos do quarto poder, não vende jornal."
- Uma grande inteligência escreve sobre outra: trecho de texto do Daniel Piza sobre Millôr Fernandes, publicado na Gazeta Mercantil em março de 2000.
(Lucas Colombo)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Millôr no MM
Textos, entrevistas e alguns posts nossos em que Millôr Fernandes (1923-2012) é citado:
- Bolsa-Ditadura (27/05/2008)
- Página 10 ampliada (Entrevista com Rosane de Oliveira - 12/09/2008)
- Tipo raro (Entrevista com Daniel Piza - 14/11/2008)
- Jung, Millôr e Sylvia Plath (02/04/2009)
- Português (politicamente) correto? (26/02/2010)
- Sem graça (Especial Eleições 2010 - 01/10/2010)
- Diálogos da Corte (19/12/2011)
- Olhares de Capitu (15/12/2008)
- Poucas e boas (04/05/2010)
- Top Five (04/04/2011)
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Poucas e boas pós-eleitorais
Se houve o post abaixo, teria de haver este. Aqui vão (bons) tweets de colunistas e colaboradores do MM sobre o pós-eleição:
- Lucas Colombo (@lucas_colombo)
. Dilma já declarou que prefere o “barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. Façamos barulho, então.
. Aécio Neves diz que, antes de ter candidato à presidência, o PSDB precisa ter um projeto para o país. Será que a ficha enfim caiu?
. Como a Dilma tem aparecido e falado bastante, não?.. Assim sabemos bem sua visão de Brasil e quais seus projetos. Excelente.
- Flávio Aguilar (@flavioaguilar)
. Não comemoro vitória de ninguém. Teremos 4 anos para saber o resultado de nossas escolhas neste ano.
. Quero saber é quando teremos o primeiro presidente rastafári.
- Leandro Narloch (@lnarloch)
. Dilma e Serra passaram o último mês dizendo que o respectivo adversário é incompetente p/ governar o país. Ambos estão certos.
. Em 89, o Nordeste votou em peso no Collor, e a turma disse que era coronelismo. Hoje o Nordeste garante a vitória da Dilma. E aí, é o quê?
. Quais ideias ganharam ontem? A julgar pelo discurso da Dilma (meritocracia, menos tributos, menos controle da mídia), foram as tucanas.
- Leandro Demori (@braziu)
. "Pela primeira vez no Brasil uma mulher assume a Presidência" (copiem, colem na capa dos jornais e vão pra cama). Boa noite.
. Sugestão de polêmica para a semana: "presidente" ou "presidenta"? Quem optar pela primeira é Sexista do Mal.
. Dilma no JN reconhece e sabe que os próximos anos serão piores do que os mais recentes.
- Bruno Galera (@bgalera)
. Gaúchos dementes, parem de reclamar do Tiririca. DANRLEI, PAULO BORGES, JOSÉ OTÁVIO GERMANO, MANO CHANGES.
- Fabiano Schüler (@fschuler)
. E aí? Votaram na abóbora ou no morcego?
. Pessoas que ainda reclamam do resultado das eleições: mostrem que vocês são tão democratas quanto alegam ser e acatem a vontade da maioria.
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Seja um Prof. Dr. com cinco cliques
Dá para se divertir com esse mecanismo criado pela Universidade de Chicago (onde Obama deu aulas), "Write your own academic sentence", por meio do qual é possível montar frases herméticas, de termos complicados e sem sentido, mas que soam cultíssimas, como as presentes em artigos (ou papers) de respeitados doutores e pós-doutores. Usá-lo é bastante simples: basta escolher, nos menus disponíveis, quatro palavras ou expressões possantes ("instituições pedagógicas", "sistematização", "hegemonia pós-capitalista"...), clicar em "Write it" e pronto, lá está sua frase acadêmica. Se não for do seu agrado, é só clicar em "Edit it", que ela volta com os termos dispostos em outra ordem - e continuando sem dizer nada, é claro. Eu fiz a minha: "The historicization of civil society is homologous with the (re)formation of the public sphere" ("A historicização da sociedade civil é homóloga à (re)ordenação da esfera pública"). E a editei: "The (re)formation of civil society is homologous with the historicization of the public sphere" ("A (re)ordenação da sociedade civil é homóloga à historicização da esfera pública"). Melhor, só se viesse com a nota de rodapé correspondente.
A ferramenta, e o que ela significa, fez-me lembrar de duas obras criativas. Lembrei-me de "O Homem que Sabia Javanês", ótimo conto do grande Lima Barreto, em que um malandro precisando de dinheiro passa-se por 'especialista' em uma obscura língua malaia, o javanês, para faturar a recompensa de um velho ansioso por conhecer a (supostamente) poderosa mensagem contida num alfarrábio escrito no idioma. O sujeito, por 'conhecer' tão incomum língua e cultura (na verdade, ele só memoriza alguns chavões e termos básicos), acaba rico e prestigiado, convidado para participar de seminários no exterior, para colaborar com a imprensa e para assumir um cargo no governo, obviamente. O conto é uma crítica ácida e pertinente de Lima não só ao vazio intelectual, mas ao comportamento servil do brasileiro diante dele, diante de quem, por "falar difícil", aparenta grande sabedoria sobre um dado assunto. E lembrei-me também do filme "Annie Hall", do Woody Allen, em que o personagem dele comenta para a mulher, pesquisadora universitária: "That's one thing about intellectuals: they've proved that you can be absolutely brilliant and have no idea what's going on"...
(Lucas Colombo)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Tô rico
Já recebi esta mensagem três vezes:
"Letter Of Notification!!!
On behalf of the Trustees and Executor of the estate of Late Engr. Juriaan Krugger. I once again try to notify you as my earlier letter were returned undelivered.
I wish to notify you that late Engr. Juriaan Krugger made you a beneficiary to his WILL. He left the sum of Thirty Million, One Hundred Thousand Dollars (USD$30, 100.000.00) to you in the Codicil and last testament to his WILL.
This may sound strange and unbelievable to you, but it is real and true. Being a widely traveled man, he must have been in contact with you in the past or simply you were nominated to him by one of his numerous friends abroad who wished you good.
Engr. Juriaan Krugger until his death was a member of the Helicopter Society and the Institute of Electronic & Electrical Engineers. Please if I reach you as I am hopeful, endeavor to get back to me as soon as possible to enable me conclude my job.
You are advice to contact me with my personal email: barrandreafraser@livemail.tw
Await your prompt response.
Yours in Service,
BARRISTER ANDREAW FRASER ESQ.
PRINCIPAL PARTNERS: Barrister Aidan Walsh.Esq Markus
Wolfgang, Mr. John Marvey Esq., Mr. Jerry Smith Esq."
(Lucas Colombo)
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Até porque um lobista pode ter pagado
"Quando, nos isteitis, houve o escândalo de Watergate, os engraçadinhos perguntavam: 'Você compraria um carro usado do Nixon?'. Pois, olhem, eu, do Renan Calheiros, não compraria nem um carro novo."
- Millôr Fernandes, o gênio sempre citado neste blog, no site dele.
(Lucas Colombo)
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Revival
"Golpe militar na América Latina e Michael Jackson tocando no rádio. Voltamos aos anos 80."
- Entreouvi essa de uma conversa que ocorria ao meu lado, em um café, ontem. Ao distinto e espirituoso anônimo, peço permissão para citá-lo.
(Lucas Colombo)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 31 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Madoff e Suas Lagostas
Imperdível o conto que Woody Allen publica na New Yorker desta semana. O cineasta relata a furiosa vingança contra Bernard Madoff perpetrada por duas vítimas do especulador. Os vingadores, Abe Moscowitz e Moe Silverman, morreram após constatar que haviam caído no esquema do salafrário - o primeiro teve um enfarte ao saber que aqueles números, "bons demais para serem legítimos", eram mesmo ilusórios, e o segundo, também ao perceber que estava quebrado, cometeu suicídio se jogando do telhado de um clube de golfe em Palm Beach (não sem antes esperar meia hora, pois era o 12º da fila). Mas eles reencarnam como lagostas ("This is how I wind up after leading a just life?") e, capturados e levados a um luxuoso restaurante em Manhattan, preparam uma terrível desforra quando veem Madoff, leve e solto, sentado à uma das mesas.
A divertida história, na íntegra, você lê aqui.
(Lucas Colombo)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Feliz 2009
"Todo presidente americano em fim de mandato, como Bush, já sem poder, é chamado de Pato Manco. No Brasil, Lula, no seu segundo mandato, já de olho no terceiro, é um pavão que não se manca".
- Millôr Fernandes, na Veja.
(Lucas Colombo)
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Gênio também. E boca suja
Ok, eu sei que a quantidade de links pro Youtube está grande por aqui, mas não pude deixar de postar essa imperdível edição com erros de gravação de Paulo Francis, exibida ao final de um especial do Manhattan Connection sobre ele.
“Vamos fazer reforma agrááááááária...”
(Lucas Colombo)
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Vanity Fair ironiza The New Yorker
Ah, a ironia... Depois de a New Yorker publicar, na capa, uma charge do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, como radical islâmico, a Vanity Fair deu uma espécie de resposta à concorrente. A revista criou, apenas para a internet, uma capa com uma caricatura de John McCain, candidato republicano, como um idoso debilitado, apoiado num andador e assistido pela mulher, Cindy, que carrega vidros de remédios. Há um retrato de George W. Bush na parede, e uma Constituição americana queima na lareira - na capa da New Yorker, Obama cumprimentava a mulher, Michelle; um quadro de Bin Laden estampava a parede e uma bandeira americana ardia na lareira. Assim como a New Yorker ironizava a imagem preconceituosa que os opositores de Obama alardeiam, a Vanity Fair faz brincadeira com a idéia que os opositores de McCain alardeiam: a de que ele é um senhor idoso e antiqüado, seguidor das políticas conservadoras de George W.
No seu site, a Vanity Fair, que é publicada pela mesma editora da New Yorker, diz: "Nós da Vanity Fair mantemos uma espécie de rivalidade afetuosa com nossos vizinhos da The New Yorker. Nós jogamos softball todo ano, competimos pelas mesmas matérias e dividimos o mesmo elevador". Um leitor postou o seguinte comentário ao texto sobre a caricatura: "A maior diferença entre esta capa e a da New Yorker é que a sátira, aqui, é baseada em fatos". Impagável.
Em tempo: li ontem que a equipe de Obama vetou um repórter da New Yorker que queria acompanhar o democrata no giro que ele faz pelo Oriente Médio. A explicação foi que simplesmente "não havia lugar" no avião do candidato para o repórter. Eu já tinha ficado surpreso com a falta de sense of humor de Obama semana passada, quando sua equipe declarou não ter achado graça na "ofensiva" charge da New Yorker. Se essa "falta de lugar no avião" for um tipo de 'retaliação' à revista, que pena...
(Lucas Colombo)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
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