Mostrando postagens com marcador MM Não Recomenda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MM Não Recomenda. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de julho de 2020

MM Não Recomenda - A Odisseia dos Tontos, de Sebastián Borensztein



Saudoso de cinema argentino, busquei A Odisseia dos Tontos, o filme recente mais 'badalado' de lá, feito pelo diretor de Um Conto Chinês (2011) com base num romance de Eduardo Sacheri, mesmo autor do livro que originou O Segredo de Seus Olhos (2010). Perdi tempo. A boa história e os diálogos ágeis e espirituosos, traços habituais do cinema dos vizinhos, estão ali. Outro item costumeiro, a ambiguidade dos personagens, que faz a história tomar rumos por vezes inesperados, não. É uma trama maniqueísta e previsível, muito condescendente com aqueles tipos, fortalezas morais que parecem não ter defeitos. O único, talvez, tenha sido a ingenuidade de acreditar nos banqueiros e políticos malvadões (não que muitos não sejam) que arruinaram a Argentina em 2001 só para encher os bolsos com la guita confiscada. Rousseau adoraria o filme. Mas eu prefiro Relatos Selvagens, O Filho da Noiva, O Segredo de Seus Olhos, O Cidadão Ilustre, A História Oficial... (Lucas Colombo)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

MM Não Recomenda - Roma, de Alfonso Cuarón + MM Recomenda - A Esposa, de Björn Runge



Os gringos até podem cair nessa de que Roma, lançado recentemente pela Netflix e concorrente ao Oscar, é uma obra-prima do cinema moderno. Não é. Mas eles acreditarem nisso, tudo bem. O que assusta é que nós estejamos repercutindo essa falácia. No Brasil, temos diversos exemplares de Roma. É um filme que reproduzimos aos montes, desde o Cinema Novo. Todo ano tem uns dez, no mínimo. Recentemente, tivemos os didáticos Que Horas Ela Volta e Casa Grande, descrevendo a relação entre pobres e ricos. A história de Roma é a batida via crúcis do miserável. Em que ele é, acima de tudo, um forte. O desafortunado suporta as agruras do mundo, sempre meio alienado, e segue em frente. Pois a vida é assim mesmo. Os bem vividos são os culpados, os alienados de verdade, que não enxergam a real situação das coisas. O pobre vive a História. O rico só serve para narrá-la. Roma é um dramalhão frio, que se passa na Cidade do México, década de 70, durante o truculento governo do presidente Luis Echeverría Álvarez, considerado uma ditadura perfeita por Mario Vargas Llosa. Narra a rotina de uma empregada doméstica de família. O pai do clã some, restando às mulheres da casa tomarem conta de tudo. O motivo da fuga só é explicitado no fim. E aí está uma boa sacada. Somente aí. Todo o resto é lugar-comum para nós, terceiro-mundistas. Ao longo de duas horas, ficamos diante da mesma estética de um filme nacional típico. A lentidão de acontecimentos, a trilha insignificante, a culpa burguesa do diretor (o mexicano Alfonso Cuarón, mas poderia ser algum Moreira Salles, não faria diferença), pesando no roteiro. O diferencial para nossos filmes, e que piora as coisas, é que Roma é rodado em um cafona preto e branco. Aquela fotografia pretensiosa (Salve, Sebastião Salgado!). Entretanto, nem tudo é negativo. É preciso também ver o lado bom. E a vantagem de Roma para outros filmes enfadonhos é que ele está disponível somente no catálogo da Netflix. Basta dar um stop e escolher outro. (Lucas Barroso)


* * *


A Esposa é um filme de pouco brilho, do ponto de vista formal. Narrativa quadradinha, convencional, com planos bonitos, diálogos afiados e grande atuação de Glenn Close (merecidamente a favorita ao Oscar de melhor atriz). Mas como faz pensar sobre questões com que toda pessoa que vive de escrita se defronta. Se alguém copidesca o texto de outro, quem é o verdadeiro autor? Como ver um incompetente ganhar elogios ou prêmios imerecidos e não nutrir ressentimento por isso? Se um escritor não conseguir ser publicado ou lido, deve desistir ou insistir? Não há respostas fáceis, e o filme não oferece nenhuma. O que é bom. (Lucas Colombo)

domingo, 25 de novembro de 2018

MM Não Recomenda - Reprodução, de Bernardo Carvalho



Em Reprodução (Cia. das Letras, 2013), romance recentemente premiado e incensado pela crítica, Bernardo Carvalho cria monólogos insuportáveis (na verdade, são diálogos em que só um personagem fala, com o outro oculto) para traçar uma história que se passa em um aeroporto. Boa parte da narrativa se detém no personagem "estudante de chinês", uma figura caricata e de falas copiadas de caixas de comentário da internet (daí o título). Com isso, Carvalho tenta construir uma trama sagaz e irônica, focada em estereótipos e lugares-comuns de nosso tempo. Contando assim, dá a entender que o livro resultou em algo engraçado e relevante. Mas não. Longe disso. Dessa empreitada fica apenas uma leitura extremamente cansativa. A cada página vencida, o leitor se questiona: aonde ele quer chegar com tanta bobagem? Surge um novo monólogo e, mais adiante, outro. A história, rala e sem sal, pouco se desenrola. Por fim, é elucidada a trama e ela se conclui rapidamente. Lá se foram 168 páginas de bocejos. Reprodução foi descrito por alguns entendidos em Literatura como um retrato dos dias atuais. Pode ser. Afinal, em todos os períodos da humanidade há bestas ensandecidas. Mas prefiro acreditar que Carvalho escreveu um romance à frente de seu tempo: um livro que daqui a 30 ou 40 anos seguirá sendo ruim. (Lucas Barroso)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

MM Não Recomenda - Hereditário, filme de Ari Aster



Como todo mundo está comentando, talvez você, assim como eu, fique curioso e tome a decisão de assistir ao filme Hereditary num dia chuvoso qualquer. Não cometa esse erro. Não bastasse ser um filme de terror (gênero necessariamente infantil, com as exceções de praxe), Hereditary segue a modinha de criar narrativas cheias de detalhes confusos que, no final, farão sentido. Funciona com Christopher Nolan, mas nas mãos de um roteirista menor é uma verdadeira catástrofe. Você talvez - talvez! - tenha medo e fique realmente intrigado durante parte do filme. Mas aquele final... Ah, aquele final é digno de um Ed Wood. (Paulo Polzonoff)

terça-feira, 21 de agosto de 2018

MM Não Recomenda - Baseado em Fatos Reais, de Roman Polanski



O novo Polanski, Baseado Em Fatos Reais, sobre escritora antipática em bloqueio criativo que acolhe fã misteriosa, é quase ruim. Narrativa muito acelerada, trilha sonora insistente, Eva Green se esforçando para parecer "enigmática". A história lembra o americano Louca Obsessão (1990), e o recurso à confusão entre ficção e realidade lembra trocentas outras obras criativas. Se você quiser ver um bom filme recente com personagem escritor e que se vale do mesmo recurso de um jeito bem mais envolvente, vá de O Cidadão Ilustre, dos argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat. Polanski perdeu a mão há muito tempo. Alguém que fez filmaços como O Bebê de Rosemary, Repulsa ao Sexo e O Pianista nem precisaria mais fazer muita coisa. (Lucas Colombo)