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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Gazeta, mon amour


A Gazeta do Povo vai encerrar suas atividades. Tá, eles vão manter a edição eletrônica, mas, para mim, o fim do jornal impresso, soltando tinta, é a morte do jornal. O que nunca confessei a ninguém, mas confesso agora, é que a Gazeta do Povo foi o grande amor não-realizado da minha vida profissional. Por consequência, o fim do periódico meio que consolida a morte de uma parte importante de mim.

A Gazeta do Povo sempre esteve presente na minha vida. Lembro-me de me levantar bem cedo no domingo, o gramado coberto pela geada, e subir uma baita ladeira no Bairro Alto a fim de comprar o jornal numa mercearia do bairro. E voltar para casa com aquele volumão, todo orgulhoso de ser um filho perfeito, ainda que, para compra-lo, eu tenha pegado dinheiro sem permissão da carteira do meu pai. Ele nunca reclamou.

Além de me dar as tirinhas do Garfield, as fotos-legendas de lugares peculiares de um mundo pré-Internet e as brincadeiras da Gazetinha (sem falar em um ou outro encarte das Lojas Americanas, Pernambucanas ou Mesbla com as mulheres trajando deliciosas, digo, lindas lingeries), a Gazeta do Povo foi a responsável por parte da minha formação intelectual, com as colunas de Paulo Francis, aquela seção de fotos antigas do Cid Destefani e matérias e críticas do Caderno G.

Quando passei no vestibular, corri para a sede do jornal para pegar o exemplar com meu nomezinho orgulhosamente estampado. Foi como um primeiro beijo. Até que, logo depois, acontecesse a ruptura que, hoje sei, foi uma falsa ruptura: entrei para a faculdade de jornalismo e nela descobri que não era de bom tom ler a Gazeta. Muito menos declarar qualquer amor pela Gazeta. Meus professores diziam que tudo ali era manipulado e aprendi a ver os jornalistas como seres maquiavélicos, destinados a, numa galé de máquinas-de-escrever, criar um mundo dividido entre oprimidos e opressores. Essa bobajada toda que a gente “aprende” na faculdade.

(Mas que, com sorte, esquece logo depois).

Tive uma carreira profissional bastante interessante. Rápida. Meteórica, como se diz. Trabalhei nos vários lugares onde meu currículo diz que trabalhei. Mas nunca trabalhei na Gazeta do Povo. E esta é uma ferida que o fechamento do jornal escancara. Para minha própria surpresa, aliás. Fecho os olhos e me lembro das boas casas que me acolheram, mas nesta imagem falta sempre meu lugar ali na sede da praça Carlos Gomes. No final das contas, percebi recentemente que não fiz faculdade para ser jornalista; fiz faculdade para trabalhar na Gazeta.

Se me permito, pois, flertar com a nostalgia e me demorar num inútil momento de autocomiseração, é porque ela, a Gazeta da minha infância, adolescência e parte da vida adulta, acabou sem jamais me dar a mão. Sinto-me como aqueles personagens de romances de aventura que vivem milhares de coisas em todos os lugares possíveis para descobrirem que a felicidade simples estava ali perto, em casa mesmo. Só que, neste caso, a minha casa um tornado digital derrubou.

- Paulo Polzonoff, em seu blog.

terça-feira, 31 de março de 2015

Problemas


O problema político das ciclovias

O problema da ciclotimia dos políticos

O problema da abundância de sacolas de plástico

O problema da falta de saco

O problema da falta de água

O problema do desafio do balde de gelo

O problema da desvalorização da vida

O problema da precificação da vida

O problema das pessoas que só ficam nas redes sociais

O problema das pessoas que não tem acesso à internet

O problema do adoçante cancerígeno

O problema do açúcar cancerígeno

O problema da escassez de empregadas domésticas

O problema da sobra de patrões

O problema da velocidade da internet

O problema da lentidão da humanidade

O problema dos chefs que querem ser celebridades

O problema da irritação com os chefs que querem ser celebridades

O problema da oposição ao governo

O problema da situação do governo

O problema da intolerância ao glúten

O problema da tolerância ao mundo 

O problema do empreendedorismo

O problema da vagabundagem

O problema das atrizes que fazem cirurgias plásticas e ficam irreconhecíveis

O problema das atrizes que não fazem cirurgias plásticas e ficam irreconhecíveis

O problema do excesso de sódio nos alimentos

O problema da dessalinização da água

O problema de quem não come carne

O problema da carne de cavalo nas lasanhas europeias

O problema do derretimento do gelo nas calotas polares

O problema do congelamento de óvulos de funcionárias da Apple e do Facebook

O problema da falta de comida na África

O problema do excesso de peso nos Estados Unidos da América

O problema em ser atendido por garçons franceses mal educados

O problema em ser Danuza Leão

O problema do Lula que não fala nada

O problema da verborragia do Eduardo Cunha

O problema da Dilma que não sabia de nada

O problema do Valério que sabia demais

O problema do excesso de informação

O problema do analfabetismo funcional

O problema de quem tem assunto demais

O problema do bloqueio criativo em jovens escritores

O problema das coisas que estão desaparecendo porque a internet apareceu

O problema dos personal stylists

O problema da falta de estilo e personalidade das pessoas

O problema da compulsão por sexo

O problema da falta de libido

O problema dos enrustidos

O problema dos fechativos

O problema dos workaholics

O problema dos desempregados

O problema da hiperatividade

O problema da paralisia cerebral

O problema da castidade

O problema da promiscuidade

O problema do sexo barato

O problema da prostituição de luxo

O problema do excesso de notícia sobre o Papa Francisco

O problema da falta de notícia sobre o Papa Ratzinger

O problema do tédio no campo

O problema da ansiedade nos grandes centros

O problema da medicalização da vida

O problema da morte

O problema da gentrificação

O problema dos novos ricos

O problema do entusiasmo

O problema da depressão

O problema da mania

O problema da inércia

O  problema em problematizar tudo

O  problema em buscar solução para tudo

O  problema em começar um texto

O  problema em terminar um texto.

(Rafael Fais)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Editor's choice


Para este editor, o que de melhor o MM publicou em 2013, em ordem cronológica:

- "Reis magos Blues" (seção Toca-disco), by Moziel T. Monk
- "Nem mesmo o amor", by Muriel Paraboni
- "Chet", by Lucas Colombo
- "Casa" (seção Enquadramentos), by Marcelo Donadussi
- "Personagens brasileiros, 2013", by Lucas Colombo
- "Livros sobre o mensalão" - I, II e III, by Rafael Fais
- "Visões do ano", by Lucas Barroso
- "Jornalismo em 2013", by Rafael Fais

Feliz 2014.

(Lucas Colombo)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Pergunta fundamental


"Uma vez perguntaram a Louis Armstrong o que era jazz, e o grande Satchmo respondeu: “Se você precisa perguntar, não vai entender nunca”. Às vezes me pergunto se a mesma resposta não valeria para a pergunta “por que escrever?”. Mas, quando se lêem as frases tão diligentemente colhidas para este livro, descobre-se que tentar responder é tão natural e produtivo quanto querer perguntar. Talvez haja uma diferença entre música e literatura aí: aquela se afirma imediatamente, pela força de sua própria imaterialidade; esta precisa ser sempre posta em dúvida, senão não terá sua força própria. Literatura nasce da autocrítica, e é por isso que este volume é indispensável: autocríticas só fazem sentido quando partem da pergunta fundamental."

- Para lembrar novamente Daniel Piza, morto há um ano: trecho da Introdução escrita por ele para o livro "Por que escrevo?", organizado por José Domingos de Brito, do site Tiro de Letra, que linca para nós.

(Lucas Colombo)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Editor's choice


O que de melhor o MM publicou em 2012, na visão deste editor. Em ordem cronológica:


- "Estradas e caminhos" (seção Enquadramentos), by Danny Bittencourt
- "Uma lágrima para Daniel Piza", by Lucas Colombo
- "Kubrick", by Leandro Schallenberger
- "Ensaio sobre o Facebook", by Rafael Fais
- "Os desastres da guerra", by Lucas Colombo
- "Lobos e tijolos", by Fabiano Schüler
- Especial "O Mensalão e Nós": "Papo jovem", by Lucas, "O saque", by Rafael, e "Fragmentos de um julgamento", by Leandro
- "2012, o fim do mundo", by Lucas Barroso

- Aqui no blog: série "Quem fez minha cabeça"

Feliz 2013.

(Lucas Colombo)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Millôr no MM


Textos, entrevistas e alguns posts nossos em que Millôr Fernandes (1923-2012) é citado:

- Bolsa-Ditadura (27/05/2008)
- Página 10 ampliada (Entrevista com Rosane de Oliveira - 12/09/2008)
- Tipo raro (Entrevista com Daniel Piza - 14/11/2008)
- Sem graça (Especial Eleições 2010 - 01/10/2010)
- Diálogos da Corte (19/12/2011)


- Olhares de Capitu (15/12/2008)
- Poucas e boas (04/05/2010)
- Top Five (04/04/2011)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Daniel Piza no MM


As duas entrevistas concedidas por Piza (1970-2011) ao site e os textos em que ele é citado:


- Tipo raro (entrevista - 14/11/2008)
- Quatro Perguntas para Daniel Piza (29/05/2010)


- Por um jornalismo cultural menos pobre (23/04/2008)
- Machado afiado (Especial Machado de Assis - 21/07/2008)
- Mínimo e múltiplo 2008 (19/12/2008)
- Poemas, sachês e camisinhas (entrevista com Fabricio Carpinejar - 20/04/2010)
- Os (meus) Eleitos (28/05/2010)
- Sem graça (Especial Eleições 2010 - 01/10/2010)
- Roth, o maior escritor (06/10/2011)


- No ar, Machado (15/09/2008)
- No ar, Machado - II (22/09/2008)
- Olhares de Capitu (15/12/2008)
- Top Five (04/04/2011)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Top Five


A convite do blog da livraria Letras&Cia., nossa parceira nos projetos Nomes & Obras e Palavra Composta - que, SIM, voltarão em 2011 -, listei cinco blogs/sites de jornalismo cultural que recomendo. Reproduzo a colaboração aqui. O Blog da Letras, é claro, linka para nós. Confiram. (Lucas Colombo)


1. Blog do Daniel Piza

Piza é um dos meus mestres no jornalismo cultural. Atualmente colunista de cultura do Estadão, passou ainda pela Folha de S.Paulo, pela revista Bravo! (nos seus bons tempos) e foi diretor do Caderno Fim de Semana, da Gazeta Mercantil, uma das mais marcantes experiências de jornalismo cultural da imprensa brasileira. É autor de “Jornalismo Cultural”, obra de referência no assunto, de “Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro”, biografia do nosso maior escritor, e do livro-reportagem “Amazônia de Euclides”. Versátil, no blog discute literatura, cinema, música, ciência e também futebol e política, mas sempre com um enfoque cultural. Oferece análises densas e originais, sem concessões ao senso comum ou ao politicamente correto. É contundente sem perder a elegância. Sabe bem o que faz.

2. Paulo Francis, o contundente crítico cultural

Outro de meus mestres é Francis – que, aliás, foi amigo e incentivador do Piza. Morto em 1997, Francis é gênio para uns, e apenas um reacionário para outros. Certo, porém, é que ninguém passa incólume por uma leitura de seus textos. Membro do grupo-fundador de O Pasquim, semanário que, em plena ditadura militar, inovou a imprensa brasileira com sua mistura de humor, crítica ácida e linguagem coloquial, Francis depois assinou a coluna Diário da Corte, na Folha, n'O Globo e no Estadão, escrita de Nova York, onde passou a viver nos anos 1970. São excertos da coluna que este site carrega – muitos também disponíveis no livro “Waaal – o dicionário da corte de Paulo Francis”, organizado por Piza. Provocatório, dono de forte capacidade polêmica, Francis transmitia sua vasta bagagem cultural por meio de uma linguagem solta, direta e irônica. Comentava literatura, cinema, teatro, pintura, música e política sempre com muita energia. “A glória da imprensa foi feita por gente com opiniões fortes e inconformistas”, escreveu. That's all.

3. Millôr Online

Colega de Francis no Pasquim (e grande amigo dele), Millôr, além de jornalista de grande importância na imprensa brasileira do século 20, é ainda escritor, tradutor, cartunista, dramaturgo e humorista – um verdadeiro talento múltiplo. Este site reúne muitos de seus escritos: resenhas, crônicas, hai-kais, textos de humor. Várias de suas charges e cartoons também estão ali, assim como reproduções da coluna Pif-Paf, que manteve por anos na revista O Cruzeiro. Os textos de algumas de suas peças estão disponíveis para download. Na seção Daily Míllor, não deixe de ler "O 'outro lado' de Dom Casmurro", sua análise original do clássico. Millôr não gosta de Machado de Assis – mas está perdoado. Autor de insuperáveis aforismos, publica muitos deles em seu twitter (@millorfernandes), no momento gerenciado pela equipe do site, já que o grande titular se recupera de um problema de saúde.

4. Todoprosa

Ex-correspondente internacional, Sérgio Rodrigues foi editor e colunista do NoMínimo, para mim o melhor site jornalístico já feito no país, encerrado em 2007. Nele, veiculava a coluna Todoprosa, sobre livros. Com o fim do NoMínimo, levou-a para o portal iG e, finalmente, para o site da revista Veja. Sérgio é um arguto crítico e escreve com graça e apuro. A seção Sobre Palavras, em que disseca a origem de expressões e vocábulos, também se lê com prazer. O blogueiro, ainda, é bom ficcionista – seus “Sobrescritos” são contos breves mas certeiros sobre o mundo literário, com humor e ironia na medida.

5. The New Yorker

Site da revista americana, simplesmente a melhor do mundo. Fundada em 1925, a New Yorker é referência de elegância, contundência e fino humor, com pautas instigantes e textos muito bem escritos. O jornalismo cultural é o foco, mas a revista, ao lado de críticas e ensaios sobre livros, filmes, música e comportamento, também publica grandes reportagens. Foi a New Yorker, inclusive, que impulsionou o “jornalismo literário” de John Hersey, Lilian Ross e Truman Capote. Igualmente, veicula ficção, e revelou grandes escritores como J.D. Salinger, John Cheever, John Updike. Woody Allen colabora. O site reproduz matérias das edições, divulga ensaios fotográficos e hospeda blogs e podcasts da equipe. Os famosos cartoons da revista também estão lá.

Dica Bônus: Robert Hughes

Os artigos de Robert Hughes, crítico de arte da imprensa americana, são excelentes as well. Ele não tem site ou blog, mas a série de TV “American Visions” (“Visões da América”), em que passeia pelas artes visuais americanas, pode ser vista em partes clicando aqui.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poucas e boas pós-eleitorais


Se houve o post abaixo, teria de haver este. Aqui vão (bons) tweets de colunistas e colaboradores do MM sobre o pós-eleição:


- Lucas Colombo (@lucas_colombo)

. Dilma já declarou que prefere o “barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. Façamos barulho, então.

. Aécio Neves diz que, antes de ter candidato à presidência, o PSDB precisa ter um projeto para o país. Será que a ficha enfim caiu?

. Como a Dilma tem aparecido e falado bastante, não?.. Assim sabemos bem sua visão de Brasil e quais seus projetos. Excelente.

- Flávio Aguilar (@flavioaguilar)

. Não comemoro vitória de ninguém. Teremos 4 anos para saber o resultado de nossas escolhas neste ano.

. Quero saber é quando teremos o primeiro presidente rastafári.

- Leandro Narloch (@lnarloch)

. Dilma e Serra passaram o último mês dizendo que o respectivo adversário é incompetente p/ governar o país. Ambos estão certos.

. Em 89, o Nordeste votou em peso no Collor, e a turma disse que era coronelismo. Hoje o Nordeste garante a vitória da Dilma. E aí, é o quê?

. Quais ideias ganharam ontem? A julgar pelo discurso da Dilma (meritocracia, menos tributos, menos controle da mídia), foram as tucanas.

- Leandro Demori (@braziu)

. "Pela primeira vez no Brasil uma mulher assume a Presidência" (copiem, colem na capa dos jornais e vão pra cama). Boa noite.

. Sugestão de polêmica para a semana: "presidente" ou "presidenta"? Quem optar pela primeira é Sexista do Mal.

. Dilma no JN reconhece e sabe que os próximos anos serão piores do que os mais recentes.

- Bruno Galera (@bgalera)

. Gaúchos dementes, parem de reclamar do Tiririca. DANRLEI, PAULO BORGES, JOSÉ OTÁVIO GERMANO, MANO CHANGES.

- Fabiano Schüler (@fschuler)

. E aí? Votaram na abóbora ou no morcego?

. Pessoas que ainda reclamam do resultado das eleições: mostrem que vocês são tão democratas quanto alegam ser e acatem a vontade da maioria.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poucas e boas eleitorais


Alguns (bons) tweets de colunistas e colaboradores do MM sobre o processo eleitoral:


- Lucas Colombo (@lucas_colombo)

. Realmente, brasileiro adora aplaudir tudo. #debaterecord

. O horário político do Collor, em Alagoas, diz que ele foi cassado "em razão do preconceito contra nordestinos". Eu mereço.

. Serra está especialista em falar só de SP. Dilma está especialista em ler teleprompter. E o Brasil vai bem.

- Flávio Aguilar (@flavioaguilar)

. ATENÇÃO PARA O PLÍNIO

. Marina acha que está concorrendo à presidência da Dinamarca com esse papo ambiental-cabeça.

- Leandro Demori (@braziu)

. Ficha Limpa é uma lei que procura impedir que você vote em bandido. Você precisa de uma lei pra isso. Reflita (evite).

. Dilma quer que o Brasil se torne "um país de classe média". Mas o grande vilão do Braziu não era a classe média? Naummm tendi.

. Serra cantando, Serra lendo a Bíblia. É um susto atrás do outro, Braziu. #horarioeleitoral

- Moziel T.Monk (@blodega)

. Ontem, ao invés do debate, assisti a "Machete". mentira por mentira...

- Bruno Galera (@bgalera)

. Alguém mais fica tenso com aquele cartaz da Juliana Brizola onde aparece o fantasma do véio? Tá louco.

- Fabiano Schüler (@fschuler)

. Candidato @joseserra, para sua "defesa civil nacional" chegar "rápido" a SC saindo de BSB, só com helicópteros supersônicos. Que não existem.

. "Precisamos gerar emprego. Para isso, precisamos de uma taxa de crescimento elevada", diz a @dilmabr. ORLY?


sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Blog x Twitter" no Palavra Composta



O último - e bacana - Palavra Composta de junho, realizado terça-feira, discutiu a situação dos blogs, que, conforme alguns especialistas, estariam em
"agonia" frente ao advento do Twitter, do Facebook e de outras redes sociais. O editor e colunista do MM, Lucas Colombo, mediador dos encontros, recebeu para a conversa na Letras&Cia. o jornalista e tecnologista Bruno Galera, do brunogalera.com e do @bgalera, e a advogada Patrícia ("Ticcia") Antoniete Ferreira, do ticcia.com, do naodiscuto.com e do @ticcia.

Para iniciar o debate, Lucas não pôde deixar de perguntar se Bruno e Ticcia haviam aderido ao "Cala boca, Galvão", a recente 'campanha' de twitteiros contra o narrador Galvão Bueno, da TV Globo. A resposta foi negativa, mas ambos concordaram que, mesmo já tomado de certo folclore, o fenômeno representou a capacidade da internet de dar voz a qualquer indivíduo que deseje se manifestar, do modo que quiser. Especificamente sobre o twitter, ainda, disseram achar exagerada a opinião do (muitas vezes, prolixo) escritor recentemente falecido José Saramago, citada por Lucas, segundo a qual o microblog reflete "a tendência ao monossílabo" contemporânea. Ter apenas 140 caracteres não quer dizer que a mensagem não tem conteúdo - foi ponto pacífico na mesa.

Lucas lançou à discussão, também, uma análise do prof. Silvio Meira, blogueiro do Terra Magazine, para quem os blogs estariam "morrendo" porque não se tornaram o que prometiam, um espaço de reverberação e de abordagem de informações diferente da mídia 'tradicional', e viraram só "mais uma" plataforma, comentada apenas por amigos do dono. Bruno e Ticcia afirmaram que desconhecidos comentam mais seus posts do que amigos - e que, inclusive, já fizeram amizades por meio de seus blogs. Eles concordaram com o mediador que é muito simplista pensar que blogs sofrerão atrofia pelo simples fato de que se disseminaram: blogueiro que investe tempo e inteligência na sua página consegue leitores. Abrir um blog só por abrir, sem uma proposta ou sem ter de fato algo a dizer, é perda de tempo. Os convidados reconheceram, porém, que têm hoje dedicado mais atenção ao twitter do que ao blog. Ticcia fazia vários posts por dia e agora faz, em média, dois por semana, e Bruno simplesmente deixou de atualizar sua página, segundo ele por causa, sim, do twitter, no qual disse poder fazer o mesmo que fazia no blog, mas sem "enrolar". Ele, contudo, falou que espera o dia em que palavras como "blog", "twitter" e "internet" deixem de existir e que tudo vá convergindo numa coisa só.


Também foi consenso na mesa que blog, hoje em dia, não é mais somente um "diário", uma página pessoal do autor: é uma mídia
estabelecida, profissionalizada, que demanda tempo e trabalho. Para manter um, é preciso "sentar e escrever", diferentemente do twitter, empregado de forma mais espontânea e descompromissada. Conforme o mediador e os convidados, o "pensar em voz alta", por muitos considerada a definição de blogar, está migrando para o twitter. Manter um blog não é fácil, e é para quem pretende fazer um exercício mais elaborado, mais aprofundado.

Sobre blogs que, na visão da jornalista Lúcia Guimarães, servem apenas como um "trenzinho elétrico do ego", por publicarem "relatos de viagens" e fotos de "animais de estimação" do autor, Ticcia declarou não ver problema nisso. Lembrou que, no seu blog, aborda desde "a morte do Saramago" até "a cor do esmalte" que está usando, e que cabe ao visitante selecionar o que deseja ler. Lucas e Bruno enfatizaram essa questão do discernimento do leitor.

No final, antes de responderem a algumas perguntas da plateia, mediador e convidados trataram, rapidamente, da intenção dos candidatos à presidência do Brasil, nas eleições deste ano, de emular uma das estratégias da campanha de Barack Obama nos EUA (ou "mal emular", como falou Ticcia) e marcar presença em blogs, no twitter, no Facebook e no Orkut. Lucas afirmou não acreditar que isso dará certo no Brasil, no que foi apoiado por Ticcia e Bruno. Este, aliás, comentou que tal estratégia foi bem-sucedida com Obama porque ele é "nerd" e entendeu os recursos e o alcance da web, usando-a a seu favor. Ticcia concordou que José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva não parecem à vontade nesse meio e que podem até ser vítimas dele, ao postarem uma frase dúbia, por exemplo.

O debate foi coberto em tempo real no twitter do blog JornalismoB.


A próxima semana, claro, é de Nomes & Obras, e o convidado será um escritor que
Bruno, inclusive, conhece bem: Daniel Galera, seu irmão. Autor de "Mãos de Cavalo" e "Cordilheira", ele apresentará seu novo trabalho, a HQ "Cachalote", e conversará com a plateia sobre prosa de ficção e traduções literárias. O encontro, excepcionalmente, ocorrerá na segunda-feira, dia 5, às 18h. Não percam.


Serviço
Palavra Composta e Nomes & Obras
Quando: toda terça-feira, de junho a setembro, às 18h
Onde: livraria Letras&Cia. (Osvaldo Aranha, 444, Porto Alegre)
Realização: MínimoMúltiplo.com e Letras&Cia.
Entrada e estacionamento (Osvaldo Aranha, 420) gratuitos

domingo, 18 de abril de 2010

Passarinho azul



Mescla de blog com rede social, o Twitter já está cristalizado como uma das ferramentas mais influentes da web. E o MM, é claro, não poderia ficar de fora.

Temos, agora, um "perfil" no site: www.twitter.com/minimomultiplo. Os leitores poderão acompanhar as atualizações de todas as seções do MM, assim que elas ocorrem, e encontrar o editor, colunistas e alguns colaboradores por lá também. Igualmente, a partir de agora, quem tiver perfil no microblog pode "twittar" nossos textos para sua rede de "seguidores", através do botão "Tweet this", que instalamos embaixo de cada texto do site e, como já devem ter visto, de cada postagem aqui do MMblog.

Ao lado de nossa comunidade no orkut, o twitter será, também, uma forma de estarmos mais perto de nossos leitores.

Sigamo-nos!

(Lucas Colombo)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Seja um Prof. Dr. com cinco cliques


Dá para se divertir com esse mecanismo criado pela Universidade de Chicago (onde Obama deu aulas), "Write your own academic sentence", por meio do qual é possível montar frases herméticas, de termos complicados e sem sentido, mas que soam cultíssimas, como as presentes em artigos (ou papers) de respeitados doutores e pós-doutores. Usá-lo é bastante simples: basta escolher, nos menus disponíveis, quatro palavras ou expressões possantes ("instituições pedagógicas", "sistematização", "hegemonia pós-capitalista"...), clicar em "Write it" e pronto, lá está sua frase acadêmica. Se não for do seu agrado, é só clicar em "Edit it", que ela volta com os termos dispostos em outra ordem - e continuando sem dizer nada, é claro. Eu fiz a minha: "The historicization of civil society is homologous with the (re)formation of the public sphere" ("A historicização da sociedade civil é homóloga à (re)ordenação da esfera pública"). E a editei: "The (re)formation of civil society is homologous with the historicization of the public sphere" ("A (re)ordenação da sociedade civil é homóloga à historicização da esfera pública"). Melhor, só se viesse com a nota de rodapé correspondente.

A ferramenta, e o que ela significa, fez-me lembrar de duas obras criativas. Lembrei-me de "O Homem que Sabia Javanês", ótimo conto do grande Lima Barreto, em que um malandro precisando de dinheiro passa-se por 'especialista' em uma obscura língua malaia, o javanês, para faturar a recompensa de um velho ansioso por conhecer a (supostamente) poderosa mensagem contida num alfarrábio escrito no idioma. O sujeito, por 'conhecer' tão incomum língua e cultura (na verdade, ele só memoriza alguns chavões e termos básicos), acaba rico e prestigiado, convidado para participar de seminários no exterior, para colaborar com a imprensa e para assumir um cargo no governo, obviamente. O conto é uma crítica ácida e pertinente de Lima não só ao vazio intelectual, mas ao comportamento servil do brasileiro diante dele, diante de quem, por "falar difícil", aparenta grande sabedoria sobre um dado assunto. E lembrei-me também do filme "Annie Hall", do Woody Allen, em que o personagem dele comenta para a mulher, pesquisadora universitária: "That's one thing about intellectuals: they've proved that you can be absolutely brilliant and have no idea what's going on"...


(Lucas Colombo)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tô rico


Já recebi esta mensagem três vezes:


"Letter Of Notification!!!

On behalf of the Trustees and Executor of the estate of Late Engr. Juriaan Krugger. I once again try to notify you as my earlier letter were returned undelivered.

I wish to notify you that late Engr. Juriaan Krugger made you a beneficiary to his WILL. He left the sum of Thirty Million, One Hundred Thousand Dollars (USD$30, 100.000.00) to you in the Codicil and last testament to his WILL.


This may sound strange and unbelievable to you, but it is real and true. Being a widely traveled man, he must have been in contact with you in the past or simply you were nominated to him by one of his numerous friends abroad who wished you good.

Engr. Juriaan Krugger until his death was a member of the Helicopter Society and the Institute of Electronic & Electrical Engineers. Please if I reach you as I am hopeful, endeavor to get back to me as soon as possible to enable me conclude my job.

You are advice to contact me with my personal email: barrandreafraser@livemail.tw


Await your prompt response.

Yours in Service,
BARRISTER ANDREAW FRASER ESQ.
PRINCIPAL PARTNERS: Barrister Aidan Walsh.Esq Markus
Wolfgang, Mr. John Marvey Esq., Mr. Jerry Smith Esq."


(Lucas Colombo)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Da série "Maravilhas de país desenvolvido"


Da Folha Online:

"Banda larga torna-se direito legal na Finlândia

A partir de julho de 2010, cada pessoa na Finlândia terá direito a uma conexão de banda larga de um megabit por segundo, anunciou o Ministério de Transportes e Comunicações do país nesta quarta-feira (14).

Isso faz do país o primeiro com lei garantindo o acesso à banda larga, informou o jornal local YLE.

Como se não bastasse, o governo finlandês afirma que esse é apenas um passo intermediário para outra meta: o país também já decidiu garantir conexão de 100 megabits como direito legal até o fim de 2015.

Alguma variação será permitida se também houver conexão por meio de redes de celulares.

A Finlândia é sede da Nokia, empresa líder mundial de celulares e também da fundação que promove o Prêmio Millennium de tecnologia, considerado o prêmio internacional mais importante do mundo neste campo. (...)"

Enquanto isso, em Pindorama...

(Lucas Colombo)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E Jazz, claro


"O Mínimo Múltiplo é um desses. Possui bons e bem escritos textos sobre cultura, variedades e política. E Jazz, porque todo mundo é filho de Deus. Vez por outra o índio velho do Lucas Colombo dá uns bordejos aqui pela Blodega."


- "camarada às antigas" Moziel T.Monk, em texto no Blodega, inserindo este entre seus blogs recomendados no Blog Day 2009, celebrado na última segunda-feira.

(Lucas Colombo)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Google in the 50's


("Favor esperar 30 dias pelos resultados da pesquisa")


- Do site holandês Boomerang, via Folha.


(Lucas Colombo)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quatro Perguntas para Sérgio Rodrigues



E eis que surge a nova seção do blog: Quatro Perguntas consistirá num bate-papo rápido com gente interessante da cultura, do jornalismo, das ciências, etc etc. Da política, também. Talvez. Será difícil encontrar um político brasileiro com algo de conteúdo para declarar, mas tentaremos.

O MM, que já contava com a seção Entrevista no site, abre agora mais este espaço. Quatro perguntas, a partir das quais já será possível se
saber muita coisa.

Explicações dadas (e nariz de cera terminado), vamos a Sérgio Rodrigues. O jornalista e escritor publicou, em março, o romance "Elza, a Garota", em que apresenta a história da adolescente Elvira Cupello Calônio, assassinada por ordem do Partido Comunista Brasileiro em 1936. Amante de um membro do partido, Elvira, codinome Elza Fernandes, foi acusada de ter delatado companheiros de 'luta', que estavam sendo perseguidos pelo governo Getúlio Vargas após a Intentona Comunista, fracassada tentativa de Luis Carlos Prestes de tomar o poder no país, em 1935. Um caso obscuro do passado brasileiro, do qual nem a "esquerda" (por motivos óbvios) nem a "direita" (por criar paranoia em torno do fato) saem bem.

Aqui, Sérgio fala, além do novo livro, também da infantilidade de se pensar em internet e jornal como meios excludentes ("esse quebra-pau que vemos hoje entre os fanáticos do meio digital e os fundamentalistas do papel me aborrece um pouco") e do finado NoMínimo ("
Foi um trabalho bem feito, sem dúvida"), o mais prestigiado site jornalístico da história da internet no Brasil, do qual foi editor e titular da coluna literária "Todoprosa", hoje seu blog. Confira.
(Lucas Colombo)


1. Caro Sérgio, você tem uma coluna ("Palavra da Semana") na Revista da Semana e mantém o blog Todoprosa, atualizado quase diariamente. Quais são os pontos positivos e negativos de cada gênero, coluna semanal e blog? E ainda: você concorda que internet e jornal/revista não são meios excludentes?

Sérgio - Não acho que a questão da periodicidade tenha tanta importância além da óbvia, claro, que é a freqüência com que você é obrigado a se ocupar do trabalho. Os meios, sim, acabam influenciando muito mais o tipo de informação e a própria linguagem. Mas esse quebra-pau que vemos hoje entre os fanáticos do meio digital e os fundamentalistas do papel me aborrece um pouco. Parece bem evidente que os meios estão destinados a conviver, pelo menos por um longo tempo ainda. Não vejo nada de excludente neles, pelo contrário - acho que são complementares e isso pode e precisa ser mais bem explorado do que está sendo.

2. Você foi editor-executivo e colunista do NoMínimo, que, com seu conteúdo de alto nível e grande interatividade com o público, foi a melhor revista eletrônica já criada "nessepaís" (como diz o presidente). O site parou em 2007, por uma revoltante falta de anunciantes, e deixou muitos leitores órfãos, entre eles, eu (a chegada do As Últimas nos deu um pouco de alegria...). O NoMínimo, porém, marcou época na internet brasileira e foi referência para muitos outros projetos, inclusive pro Mínimo Múltiplo... Hoje, quase dois anos depois do fechamento, você e a turma já têm cristalizada a ideia de que "fizeram história"?
Sérgio - O fim do NoMínimo foi traumático para toda a equipe que o fazia. Acho que posso generalizar e dizer que todos nós, hoje espalhados por aí, ainda nos sentimos meio órfãos, provavelmente mais do que os leitores. Mas quanto a "fazer história", mesmo agradecendo a sua generosidade, devo dizer que acho um exagero. Foi um trabalho bem feito, sem dúvida, e sinto orgulho dele. Mas o jornalismo sempre se mexeu muito rápido e agora, na internet, ficou mais veloz ainda. Daqui a pouco tempo, quando se falar em NoMínimo, a reação mais normal será: Hã? O quê? E é saudável que seja assim.

3. Em "Elza, a Garota", você narra um episódio pouco conhecido do nosso passado. Imagino que a pesquisa tenha sido trabalhosa - afinal, é o típico caso sobre o qual não há interesse em manter muita documentação, não? Você disse numa entrevista recente que chegou a se arrepender de ter aceitado a encomenda da editora Nova Fronteira - um livro de não-ficção sobre a história -, até que teve a ideia de transformá-lo em romance...
Sérgio - Bom, o projeto de fazer um romance sobre essa história era tão ambicioso e cheio de armadilhas que, na verdade, me arrependi bem mais depois que tive a idéia de trabalhar o tema como ficção. Para piorar, o prazo acordado com a editora era curto. O pânico só começou a diminuir quando decidi que, se no fim das contas tivesse nas mãos um livro que considerasse ruim, simplesmente não o entregaria à editora e pronto. O resultado acabou sendo mais que satisfatório.

4. Este é seu segundo romance. Entre "As Sementes de Flowerville" (2006) e "Elza", o que mudou? O fato de o primeiro ter recebido resenhas elogiosas (algo que está se repetindo agora) aumentou ou diminuiu sua autocrítica como escritor?
Sérgio - Minha autocrítica não cresceu, ainda bem. Sempre foi muito grande e poderia virar auto-sabotagem se passasse de um certo ponto. "Flowerville" era de certa forma um livro de estréia, embora eu já tivesse publicado um volume de contos, "O homem que matou o escritor". Não renego meu primeiro romance de forma alguma, mas "Elza" é muito mais ambicioso, mais profissional e mais maduro. É meu melhor livro, sem dúvida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

No Orkut


Caros leitores,

atendendo a pedidos, criamos uma comunidade do nosso site no Orkut. Ainda pequena, mas em crescimento. Para acessá-la, clique aqui.

Não deixe de conferir e de participar. Nos vemos lá.

(Lucas Colombo)

sábado, 13 de setembro de 2008

Finalmente, reconheceram


Da Zero Hora deste sábado (13/09):

"Banda larga no país é uma das piores

A qualidade da internet banda larga (rápida) no Brasil está entre as piores no mundo e é insuficiente para atender às necessidades dos usuários que usam hoje os aplicativos da web.

Segundo estudo com 42 países divulgado ontem, a internet brasileira só é melhor do que o serviço de quatro nações. Somente Chipre, México, Índia e China oferecem um serviço inferior ao brasileiro.

A internet rápida no Brasil não é considerada adequada hoje para ver vídeos em sites como YouTube, baixar pequenos arquivos e navegar pela rede, mostra a pesquisa feita para a Cisco pelas universidades de Oxford (Reino Unido) e Oviedo (Espanha).

Segundo o estudo, a velocidade mínima adequada para baixar arquivos na internet é de 3,75 Mbps (megabits por segundo). No Brasil, pesquisa da própria Cisco considera banda larga a internet com velocidade de 128 kbps (muito inferior ao desejado)."

(Lucas Colombo)