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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

50 Anos Blues



Nestas últimas semanas deste moribundo ano, não faltou quem associasse as mobilizações dos “coletes amarelos” em Paris ao movimento de, como se convencionou chamar, “Maio de 68” – e os manifestantes atuais deram motivo, é claro, ao preencher cartazes com frases que aludiam àquele episódio. Mas o ano inteiro foi de festa para o cinquentenário dos protestos que marcaram o 1968 do Ocidente. Especificamente do “Maio” parisiense, sobre o qual foi jogada a maior parte dos confetes da festa, dizem que “Foi uma revolução” (não foi; revolução pressupõe ruptura da ordem estabelecida), “Um grito de insatisfação similar ao de 2013 no Brasil” (e tão difuso e contraditório quanto, não?), etc. etc. Não sei se há razões para saudade e exaltação de um ano que gerou muito calor e pouca luz, que viu radicalismos de esquerda e de direita se retroalimentarem (guerrilha socialista, Black Panthers, Primavera de Praga, AI-5...). Só se for por identificação freudiana, nestes tediosamente polarizados anos 2010.

Dois slogans do “Maio de 68” francês provam como a herança cultural daquela época não é tão admirável assim - nem vou falar do “É proibido proibir”, uma contradição em termos e, pior, emitida por quem exibia fotos dos totalitários Mao e Lênin:

1. A inteligência caminha mais que o coração, mas não vai tão longe”. Tipo de mentalidade que ajudou a moldar esta era de muita sensação e pouca razão, muito hedonismo e pouca responsabilidade. A espetaculosa arte atual e o predomínio quase sufocante da cultura pop que o digam.

2. Se nossa situação nos arrasta para a violência, é que a sociedade inteira nos violenta”: Infantilidade pura, essa de colocar a culpa sempre nos outros ou no “sistema” (“Não foi a greve que gerou o caos, foi o caos que gerou a greve”, etc.). Também ajudou a modelar um pensamento comum hoje, o “todomundofazismo”, a noção de que, se algo, mesmo antiético, for praticado pela maioria, então “pode”.

Maio de 68 também deu contribuição decisiva para o “marketing da rebeldia”, a ideia de que juventude e rebeldia são um valor em si só (Nelson Rodrigues já a questionou bem melhor do que eu), outro legado bastante contestável. Se for para apontar uma herança positiva – que, sim, toda reação vivaz deixa –, é a dessacralização do sexo. Hoje, o tema é abordado abertamente por pais, filhos, professores e mídia, e jovens, adultos e idosos têm bem mais autonomia para se relacionar com quem quiserem (apesar das crescentes patrulhas à esquerda e à direita). Há também mais diversidade no vestir e no falar (idem). Mas, infelizmente, o desprezo ao método e à reflexão nuançada e o cacoete mental de se dividir as pessoas entre conservadores/“reaças” e progressistas/“fluidos” foi o que mais permaneceu. Passados 50 anos, já é mais do que hora de crescer. Ou envelhecer, como recomendou, com mais humor, Nelson, outra vez.
(Lucas Colombo)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Tempos (pós-) modernos



O muito bom MoMA de San Francisco, California, reinaugurado em maio, abriga a escultura "Sequence" (2006), feita com placas de aço por Richard Serra, para mim o mais respeitável nome da chamada arte contemporânea. Trabalho grande e elegante, como se espera de seu autor, compõe-se de elipses retorcidas interligadas por um "S", por dentro das quais o público pode andar, como num labirinto. O "S" dá a impressão de que estamos voltando para o ponto de onde partimos, mas não estamos.

O aço pesado consegue transmitir leveza. Eis a ambiguidade sempre desejada numa obra de arte.



E o museu tem ainda uma mostra temporária com os mobiles de Alexander Calder, o escultor americano morto há 40 anos. Chapas de metal coloridas e vazadas unidas por fios de arame, que se movem com o vento. Frequentador do Brasil entre os anos 1940 e 1960 (doou a peça "Black widow" para o Instituto dos Arquitetos do Brasil, em SP), Calder deitou influências na chamada segunda geração modernista. Sua obra ecoa, em especial, na de Abraham Palatnik, com a diferença de que as esculturas desse se movimentam ordenadamente por força de motores e imãs.


Um de seus stabiles, com os quais os "Bichos" de Lygia Clark dialogam:


Elegância, leveza, precisão e reflexão.

(Lucas Colombo, de San Francisco - EUA)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Editor's choice


Para este editor, o que de melhor o MM publicou em 2013, em ordem cronológica:

- "Reis magos Blues" (seção Toca-disco), by Moziel T. Monk
- "Nem mesmo o amor", by Muriel Paraboni
- "Chet", by Lucas Colombo
- "Casa" (seção Enquadramentos), by Marcelo Donadussi
- "Personagens brasileiros, 2013", by Lucas Colombo
- "Livros sobre o mensalão" - I, II e III, by Rafael Fais
- "Visões do ano", by Lucas Barroso
- "Jornalismo em 2013", by Rafael Fais

Feliz 2014.

(Lucas Colombo)

domingo, 8 de dezembro de 2013

Poucas e boas


- “A tristeza, a compreensão e a desigualdade de nível mental do meu meio familiar agiram sobre mim de um modo curioso: deram-me anseios de inteligência.” (Lima Barreto, na primeira frase de "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", de 1909)

"Gostaria de poder erguer-me entre os mortos, a cada dez anos, caminhar até a banca de jornais e comprar alguns. Não pediria mais nada. Com os jornais debaixo do braço, lívido, esbarrando nos muros, retornaria ao cemitério e leria os desastres do mundo, antes de tornar a dormir, satisfeito na proteção tranquilizadora da sepultura..." (Luis Buñuel, cineasta espanhol, em seu livro de memórias, "Meu último suspiro", comentando que a morte não o incomodava, desde que pudesse fazer isso)

"A única coisa que se encontra depois de escalar uma montanha são mais montanhas para escalar." (Recém-falecido Nelson Mandela, ex-presidente sul-africano, no que serve como recado aos brasileiros, costumeiramente contentes com pouco)

(Lucas Colombo)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Editor's choice


O que de melhor o MM publicou em 2012, na visão deste editor. Em ordem cronológica:


- "Estradas e caminhos" (seção Enquadramentos), by Danny Bittencourt
- "Uma lágrima para Daniel Piza", by Lucas Colombo
- "Kubrick", by Leandro Schallenberger
- "Ensaio sobre o Facebook", by Rafael Fais
- "Os desastres da guerra", by Lucas Colombo
- "Lobos e tijolos", by Fabiano Schüler
- Especial "O Mensalão e Nós": "Papo jovem", by Lucas, "O saque", by Rafael, e "Fragmentos de um julgamento", by Leandro
- "2012, o fim do mundo", by Lucas Barroso

- Aqui no blog: série "Quem fez minha cabeça"

Feliz 2013.

(Lucas Colombo)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Millôr e as Malvinas



Por falar em 30 anos da Guerra das Malvinas: cartoon de Millôr Fernandes, da sua coluna na Veja de 19 de maio de 1982.

(Lucas Colombo)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quatro Perguntas para Leandro Narloch



Ele está de volta - para a raiva de muitos. Ex-editor das revistas Aventuras na História” e “Superinteressante”, o jornalista Leandro Narloch tem provocado celeuma com seu "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" (ed. Leya, 320 p.) desde que o lançou e o viu entrar, para não sair mais, na lista de livros mais vendidos, em 2009. Justifica-se: com base em publicações, teses e documentos, o volume oferece um contraponto à História geralmente maniqueísta e ideologizada ensinada nas escolas e universidades brasileiras. Lá estão fatos "incômodos" do passado nacional, como os de que o líder da resistência à escravidão, Zumbi, também tinha escravos; Santos Dumont não foi o grande inventor do avião; e os guerrilheiros que combateram o regime militar (1964-1985) lutavam não por democracia, mas para implantar outra ditadura, socialista.

A princípio, mais de 200 mil pessoas informaram-se sobre tais temas, já pesquisados mas ainda pouco difundidos, por meio desse "Guia", o que pode fazer Narloch considerar-se com o dever cumprido. E o fato de ter indignado muitos historiadores e a parcela mais politicamente correta do público-leitor, também, já que "enfurecer um bom número de cidadãos" era igualmente um de seus objetivos. O trabalho, porém, não para. Agora, o autor publica um novo "Guia", que segue a mesma linha do primeiro, mas num terreno maior: a América Latina.

Escrito em parceria com o também jornalista Duda Teixeira, editor assistente da revista Veja, o "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" tem como alvo o "falso herói latino-americano", como escrevem Narloch e Teixeira no prefácio, e certo viés de "coitadismo" que muitos autores imprimem a seus relatos sobre personagens históricos dessa região do globo. Então, depoimentos de chilenos sobre a crise econômica e institucional do período em que Salvador Allende foi presidente, descrições de execuções sem julgamento e de perseguições a roqueiros, hippies e gays realizadas por Che Guevara, e relatos de comemorações de grande parte dos "explorados" incas, maias e astecas quando da chegada dos conquistadores espanhóis (pois estes venceram os imperadores indígenas que obrigavam seus povos a fazer migrações forçadas) são alguns dos conteúdos que as 335 páginas do livro trazem. No twitter de Narloch, reclamações de leitores já começaram. E cumprimentos também.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, ele fala da ideia que deu origem ao livro, do desprezo que muitos professores de História têm por jornalistas que escrevem sobre a área e, é claro, do chavão politicamente correto que pensa ser o maior da América Latina hoje. !Adelante!
(Lucas Colombo)



1. Cada capítulo do "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" trata de alguma figura mítica da região, como Evita Perón, Salvador Allende e Simón Bolívar. Como foi a escolha dos temas? Ficou muita coisa de fora? Durante a produção do "Guia" brasileiro, a ideia para este já foi se configurando também?
Narloch - Eu e o Duda Teixeira tivemos a ideia do livro durante uma conversa, alguns meses depois do primeiro "Guia". Ele tinha acabado de voltar da Bolívia, aonde foi fazer uma matéria sobre políticos que se fazem de índios. Percebemos que existe uma militância ideológica muito forte relacionada à identidade latino-americana. Um livro sobre a mania dos latino-americanos de lamentar o próprio passado era mais do que necessário.

2. Na Introdução do "Guia" brasileiro, você diz que procurou reunir somente "erros das vítimas e heróis da bondade" e "virtudes dos considerados vilões", para ir de encontro ao tratamento romântico conferido a certos fatos de nossa História e, assim, "enfurecer um bom número de cidadãos". Uma das funções do jornalismo é (ou deveria ser) mesmo incomodar. Na sua opinião, a imprensa brasileira, atualmente, cumpre esse papel?
Narloch - Sim, incomodar, mostrar contradições e fazer barulho é um excelente papel da imprensa. Algumas publicações cumprem, sim, mas não com tanta audácia quanto fora do Brasil. Ainda há timidez em falar de concorrentes (nos EUA um jornal publica escândalos do concorrente) e sobretudo de anunciantes. Mas não é papel obrigatório da imprensa incomodar. Cada leitor deve escolher o tipo de jornalismo de que gosta mais. Quanto à história do Brasil, considero um mérito dos "Guias" chacoalhar o debate e fazer uma chamada geral para que livros didáticos se atualizem.

3. Em claro corporativismo, professores brasileiros de História menosprezam jornalistas que escrevem a respeito. Eu já ouvi historiadores dizendo que jornalistas (que também sabem ser corporativos) não deveriam "se meter onde não são chamados". É uma atitude tipicamente brasileira: nos EUA e na Europa, por exemplo, jornalistas escrevem sobre o que lhes dá na telha, sem ouvir reclamações de quem se considera dono de um dado assunto. Aqui, inclusive, motivados justamente por essa aversão, hackers já tiraram do ar o site do também jornalista e escritor de sucesso Laurentino Gomes. Seu blog nunca foi tirado do ar (hehe), mas você já foi alvo de alguma reação desse tipo?
Narloch - Na minha opinião, esses historiadores não sabem o que faz um historiador. É trabalho de jornalistas falar com o público. Historiadores, para mim, analisam documentos, certidões, registros e tentam tirar dali conclusões científicas a despeito de suas convicções ideológicas. Isso passa muito longe dos meus livros. Eles não são parciais nem científicos: mostram apenas um lado, o mais desagradável, da história. Alguns historiadores gostaram do "Guia", outros não, mas a postura mais comum foi de indiferença. O que dá pra entender, afinal o livro não tem nada de original, nada que um historiador antenado não deva saber.

4. Pergunta chatinha, mas irresistível: que clichê politicamente correto é o mais eloquente na América Latina hoje, e que poderá ser contrariado por um "Guia" daqui a 30 anos?...
Narloch - O mito de que ser neoliberal é ruim. A prosperidade do Brasil nos dias de hoje é resultado de políticas liberais básicas - responsabilidade fiscal, controle da inflação, privatizações. Mas, para muita gente, "neoliberal" é demônio. É o capeta. É um nazista.

Leia também:
- Quatro Perguntas para Daniel Piza
- Quatro Perguntas para Carlos Fernando
- Quatro Perguntas para Sérgio Rodrigues

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010


Sem ânimo para retrospectiva. O ano foi um dos piores dos últimos tempos, para o mundo, para o país, para nós. As únicas coisas boas que aconteceram
neste moribundo 2009 foram o Oscar para Kate Winslet, o livro novo de Philip Roth e a reunião do elenco de "Seinfeld" na HBO (e nem isso foi really good). See you next year.

(Lucas Colombo)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Outros muros


Como todos a essa altura já devem (ou deveriam) saber, faz exatos 20 anos que veio abaixo o Muro de Berlim, símbolo maior da divisão do mundo em capitalismo e socialismo durante a Guerra Fria, e é muito bom que um acontecimento histórico colossal como este, de reação não-violenta ao controle estatal, à falta de liberdade e à divisão de um povo, seja lembrado e comentado. Muitas reportagens e análises sobre o tema saíram na imprensa brasileira nos últimos dias, a maioria apontando para os fatos de que o lado leste da cidade ainda é menos desenvolvido que o lado oeste e que, hoje, a "barreira" na Europa é aquela contra os imigrantes vindos de países mais pobres. Entre os vários artigos que li, porém, nenhum criticava o Muro de Berlim que, 20 anos depois, ainda existe firme nas ideias de tanta gente - como a ação corriqueira de discutir política com base em "direita" versus "esquerda", coisa que,
conforme já escrevi, ficaria mais adequada num mundo pré-1989. Além disso, esta data de celebração da liberdade e da democracia deveria servir também, no Brasil, como fonte de reflexão sobre a tendência da alma nacional ao binarismo, sobre a necessidade de se amadurecer e parar de perceber as questões apenas de um jeito emocional, em termos de "contra" ou "a favor", "nós" e "eles". Aqui, quem procura ter opinião própria, sem apenas ecoar a dos outros, e vê, por exemplo, o país com olhos críticos é "arrogante", "elitista" e "torce contra". Daniel Piza, ele sim autor de um texto muito pertinente acerca da efeméride, pleiteou: "Que os muros mentais sejam derrubados". Assino embaixo.

(Lucas Colombo)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Da série "Maravilhas de país desenvolvido"


Da Folha Online:

"Banda larga torna-se direito legal na Finlândia

A partir de julho de 2010, cada pessoa na Finlândia terá direito a uma conexão de banda larga de um megabit por segundo, anunciou o Ministério de Transportes e Comunicações do país nesta quarta-feira (14).

Isso faz do país o primeiro com lei garantindo o acesso à banda larga, informou o jornal local YLE.

Como se não bastasse, o governo finlandês afirma que esse é apenas um passo intermediário para outra meta: o país também já decidiu garantir conexão de 100 megabits como direito legal até o fim de 2015.

Alguma variação será permitida se também houver conexão por meio de redes de celulares.

A Finlândia é sede da Nokia, empresa líder mundial de celulares e também da fundação que promove o Prêmio Millennium de tecnologia, considerado o prêmio internacional mais importante do mundo neste campo. (...)"

Enquanto isso, em Pindorama...

(Lucas Colombo)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mocinhos e vilões?


A realidade é sempre mais complexa e múltipla do que, a princípio, parece, e, embora já tenha escrito sobre o simplismo de se discutir, por exemplo, fatos políticos com base na dicotomia "direita" e "esquerda", percebo que o trabalho de fugir dos lugares-comuns e de incentivar a busca pelos vários lados de uma mesma questão não deve parar nunca. Vejam o caso da crise em Honduras. À "esquerda" e à "direita", pululam aquelas opiniões apaixonadas de sempre: "Manuel Zelaya ajudava os pobres e foi deposto pela direita, com ajuda da elite", ou "ele colheu o que plantou, pois era chavista e queria transformar Honduras numa Venezuela", etc etc. Fui 'brindado' com várias manifestações do tipo nos últimos dias, em ocasiões nas quais lutava para não bocejar. Realmente, são poucas as viv'almas que procuram visualizar os muitos outros números entre o 8 e o 80 e, com desejados ceticismo e ponderação, dão-se conta de que, nessa novela hondurenha (mexicana?), não há "mocinhos" totalmente defensáveis. Após constatar que seu candidato à sucessão não seria eleito, Zelaya quis mudar a Constituição do país para poder reeleger-se (mudança em benefício próprio, portanto) e, para isso, convocou um plebiscito visto como ilegal pela Corte Suprema, pelo Congresso e pelo Ministério Público hondurenhos. Também demitiu o chefe do estado-maior do exército simplesmente porque os militares negaram-se a ajudá-lo na realização da consulta popular. Nada disso o favorece, mas, obviamente, também não justifica o fato de ter sido expulso do país com armas apontadas para ele, num golpe militar com cheiro de América Latina do século 20 - que não, não é "um golpe em nome da democracia", como alguns chegaram a dizer (desde quando há "golpes democráticos", santodeus?...). São absurdos o toque de recolher, o fechamento de emissoras de TV e rádio, a morte de civis nos protestos, as prisões e o cerco à embaixada brasileira, onde Zelaya refugiou-se orientado por, hum, Hugo Chávez. Da mesma forma, não ajuda muito o exagerado papel de "mártir" desempenhado pelo presidente deposto, que está acompanhado por dezenas de partidários dentro da embaixada (virou comitê, pelo visto), deixou-se fotografar descansando 'deitado' sobre uma cadeira e uma poltrona velha e discursou na sacada do prédio, indo de encontro a normas internacionais... Políticos exemplares e bravos defensores da democracia e da Constituição, como se vê, não existem em nenhum dos lados em conflito. No entanto, diga-se: Roberto Micheletti é o único golpista 'efetivo' ali. Zelaya tentou dar um golpe, mas sofreu outro. A comunidade internacional não tem mesmo que reconhecer tal governo em Honduras, e resta esperar para que a OEA consiga realmente promover uma negociação e a volta das liberdades democráticas ao país, o quanto antes. Que as eleições previstas para novembro contem com supervisão internacional também parece razoável. Enquanto a história não acaba, exercitemos nossas cabeças e fujamos das polarizações, sempre prejudiciais a um verdadeiro debate. O que importa de verdade, no caso de Honduras, é que a democracia seja estabelecida no país, e não se é a "direita" ou a "esquerda" que está com a razão. As questões só tendem a evoluir quando se evita o emocionalismo e se joga luz sobre outras variáveis que não somente as imediatas. A democracia igualmente sai ganhando.


(Lucas Colombo)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Revival


"Golpe militar na América Latina e Michael Jackson tocando no rádio. Voltamos aos anos 80."


- Entreouvi essa de uma conversa que ocorria ao meu lado, em um café, ontem. Ao distinto e espirituoso anônimo, peço permissão para citá-lo.

(Lucas Colombo)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Retratos da crise - IV


(Foto: EFE)

Executivo japonês passando em frente à corretora Namura Holdings, em Tóquio. A Namura cortou mil postos de trabalho só no seu escritório em Londres, com o agravamento da crise e a compra da filial asiática do Lehman Brothers, banco americano cuja quebra em setembro do ano passado marcou o início da atual tempestade financeira. O Japão é um dos países mais afetados pela crise global: de março de 2008 a março de 2009, contabilizou recuo de 15,2% no PIB. Números tão ruins assim, só na época da Segunda Guerra.

(Lucas Colombo)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Madoff e Suas Lagostas


Imperdível o conto que Woody Allen publica na New Yorker desta semana. O cineasta relata a furiosa vingança contra Bernard Madoff perpetrada por duas vítimas do especulador. Os vingadores, Abe Moscowitz e Moe Silverman, morreram após constatar que haviam caído no esquema do salafrário - o primeiro teve um enfarte ao saber que aqueles números, "bons demais para serem legítimos", eram mesmo ilusórios, e o segundo, também ao perceber que estava quebrado, cometeu suicídio se jogando do telhado de um clube de golfe em Palm Beach (não sem antes esperar meia hora, pois era o 12º da fila). Mas eles reencarnam como lagostas ("This is how I wind up after leading a just life?") e, capturados e levados a um luxuoso restaurante em Manhattan, preparam uma terrível desforra quando veem Madoff, leve e solto, sentado à uma das mesas.

A divertida história, na íntegra, você lê aqui.

(Lucas Colombo)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Reunião mendigada em "Manhattan"


"Os baseados da Conexão em Pó começam falando da reunião que Lula mendigou com Obama. Foi bom para os dois: o álcool não vai encher o tanque dos carros americanos (pois sabemos que vai encher outra coisa) mas os companheiros finalmente se encontraram e as relações estão engrenadas. Lula não sabe quem foi Greta Garbo e nunca viu Casablanca, mas bateu a Rainha Cristina e começou uma grande amizade com o presidente americano. Parece que a conversa sobre o pepinaço valeu o investimento - afinal a Venezuela está ocupada e o Brasil é a ponte para a américa latina."

- trecho do post do colega Marcos Alexandre sobre a edição de ontem do Manhattan Connection, no blog do fã-clube do programa, que linca para a entrevista com o Caio.

(Lucas Colombo)

terça-feira, 10 de março de 2009

Brastemp


Muita indignação com o artigo do Osservatore Romano dizendo que a máquina de lavar roupas é o verdadeiro símbolo da emancipação feminina no século 20. Mas é de se perguntar: do Vaticano, vocês esperavam o quê?

Tem gente que ainda se surpreende com certas coisas...

(Lucas Colombo)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Retrato do presidente quando jovem



Sabem quem é o garoto aí de cima? É ele mesmo: Barack Obama, o, agora, presidente dos Estados Unidos, aos 18 anos. A foto é de 1980 e foi tirada pela então aspirante à fotógrafa Lisa Jack, na Occidental College, em Los Angeles. Lisa estava visitando a escola preparatória e perguntou ao calouro Barry se ele topava posar para umas fotos em preto-e-branco que ela gostaria de adicionar ao seu portfólio. Barry, talvez já pensando que um dia seria o homem mais poderoso do mundo, topou. Lisa tirou um rolo inteiro de filme e depois o esqueceu. Encontrou os negativos quando Obama já estava disputando a Casa Branca e guardou-os num cofre, para que uma eventual publicação das fotos não prejudicasse a campanha do democrata. Com a vitória em novembro, então, Lisa finalmente sentiu-se livre para divulgar as imagens. A revista Time publicou uma parte do ensaio em dezembro último. Veja aqui.

Hoje psicóloga, Lisa encontrou Obama apenas mais algumas vezes no período em que foram estudantes. Em 2005, porém, ela viu o então senador nas redondezas do Capitólio (o Congresso americano), em Washington. Disse olá e... foi reconhecida. "Ele sabia exatamente quem eu era depois de todo esse tempo", comenta Lisa, em seu relato para a Time. Nas fotos, Obama aparece descontraído, de chapéu e, para horror dos politicamente corretos, com um cigarro na mão (o presidente fuma até hoje e já afirmou que consumiu maconha na juventude). Segundo Lisa, ele começou a sessão de fotos um pouco retraído, apenas 'posando' para a câmera. Com o tempo, no entanto, foi se soltando. "Ele já era muito carismático", diz Lisa. E é este carismático e brilhante político que se torna hoje, 20 de janeiro de 2009, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

E o MM segue de férias. Esta foi uma excepcional interrupção em nosso descanso, em virtude de um fato também excepcional. Voltaremos em breve.
Stay tuned.

(Lucas Colombo)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009


"Todo presidente americano em fim de mandato, como Bush, já sem poder, é chamado de Pato Manco. No Brasil, Lula, no seu segundo mandato, já de olho no terceiro, é um pavão que não se manca".


-
Millôr Fernandes, na Veja
.

(Lucas Colombo)

domingo, 30 de novembro de 2008

Retratos da crise - III


(Foto: AP)

- Latas da famigerada "Spam", presuntada que foi a principal fonte de proteína das famílias americanas pobres durante a Grande Depressão dos anos 30, reaparecendo nas gôndolas dos supermercados do estado de Vermont.


(Lucas Colombo)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

4 de novembro de 2008



É a luz no fim do túnel para os EUA, na capa da New Yorker.

(Lucas Colombo)